O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu a líder opositora venezuelana e Prêmio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, para um almoço a portas fechadas na Casa Branca nesta quinta-feira (15). O encontro, que não teve acesso da imprensa, acontece em um momento crucial para a transição política na Venezuela, após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro.
A reunião marca uma aproximação inédita de Trump com a oposição venezuelana. Até então, o governo americano vinha apoiando publicamente a presidente interina Delcy Rodríguez, vice de Maduro que assumiu o poder após a operação militar de 3 de janeiro.
Mudança de postura após captura de Maduro
O encontro representa uma guinada na posição pública de Trump. Em coletiva no dia da captura de Maduro, o presidente americano havia descartado apoiar Machado, afirmando que ela "é uma mulher muito simpática", mas "não tem o apoio nem o respeito do país".
Agora, a reunião na Casa Branca sugere uma reavaliação estratégica. Machado, vencedora do Nobel da Paz em outubro de 2025, já manifestou o desejo de compartilhar o prêmio com Trump, embora o Comitê do Nobel tenha esclarecido que a honraria não pode ser transferida ou compartilhada.
Contexto da transição venezuelana
A operação que resultou na prisão de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ocorreu há menos de duas semanas, em 3 de janeiro, em Caracas. Desde então, os Estados Unidos mantiveram diálogo prioritário com Delcy Rodríguez.
Na véspera do encontro com Machado, na quarta-feira (14), Trump conversou por telefone com Rodríguez. Segundo a presidente interina, discutiram petróleo, minerais, comércio e segurança. Trump a classificou como uma "pessoa fantástica" e afirmou haver "grande progresso" nos esforços para estabilizar o país.
Próximos passos e implicações
O almoço entre Trump e Machado, embora sigiloso, coloca a líder opositora novamente no centro do debate sobre o futuro da Venezuela. A reunião ocorre enquanto a comunidade internacional observa atentamente o processo de transição de poder no país, que enfrenta uma profunda crise política, econômica e humanitária há anos.
O desenvolvimento sugere que os Estados Unidos podem estar adotando uma abordagem mais pluralista, dialogando com diferentes atores políticos venezuelanos para garantir uma estabilização duradoura na região.