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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (19) que a Dinamarca falhou em "afastar a ameaça russa da Groenlândia" e que "agora é a hora" de agir. A declaração foi feita em uma rede social e representa mais um capítulo na insistência do líder americano em anexar o território autônomo dinamarquês.

Em sua publicação, Trump criticou a atuação da Dinamarca e sugeriu que o país não tem capacidade para proteger a Groenlândia. "A OTAN vem dizendo à Dinamarca, há 20 anos, que 'vocês precisam afastar a ameaça russa da Groenlândia'. Infelizmente, a Dinamarca não conseguiu fazer nada a respeito. Agora chegou a hora, e isso será", escreveu o presidente norte-americano.

Histórico de ameaças e justificativa geopolítica

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Esta não é a primeira vez que Donald Trump ameaça anexar a Groenlândia aos EUA. Em suas declarações, ele argumenta que, caso os Estados Unidos não tomem o território, a Rússia ou a China o farão. "A Dinamarca não pode proteger essa terra da Rússia ou da China, e por que eles teriam um 'direito de propriedade' afinal?", questionou Trump em sua publicação.

A Groenlândia é a maior ilha do mundo, possui vastos recursos naturais e uma posição estratégica no Ártico, o que a torna alvo de interesse geopolítico de grandes potências. O território é autônomo, mas sua defesa e relações exteriores são administradas pela Dinamarca.

Mensagem ao premiê norueguês e referência ao Nobel

Em paralelo às declarações públicas, Trump enviou uma mensagem ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store. Nela, o presidente americano vinculou sua postura agressiva à não concessão do Prêmio Nobel da Paz. As informações são da agência de notícias Reuters.

"Caro Jonas: Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América", escreveu Trump.

Contexto e próximos passos

As declarações de Trump ocorrem em um momento de tensões geopolíticas renovadas, com foco crescente na região do Ártico e na competição entre EUA, Rússia e China. A insistência na Groenlândia já causou atritos diplomáticos com a Dinamarca no passado.

Não há, até o momento, uma reação oficial do governo dinamarquês às últimas declarações. Analistas apontam que a retórica de Trump busca reforçar uma agenda de fortalecimento da presença americana em áreas estratégicas, mas esbarra na soberania de um aliado da OTAN.