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Mykhailo Fedorov, o novo ministro da Defesa da Ucrânia, estabeleceu como objetivo estratégico para suas forças a eliminação de 50.000 tropas russas por mês. A meta, anunciada em reunião com jornalistas na terça-feira, representa um aumento significativo em relação às perdas que Kiev afirma estar infligindo atualmente ao Kremlin. Fedorov, de 32 anos, é o ministro da Defesa mais jovem da história do país.

O objetivo declarado é "impor custos à Rússia que ela não possa suportar" e, dessa forma, "forçar a paz através da força", explicou Fedorov. Ele especificou que a meta se refere apenas a mortes em campo de batalha, excluindo feridos. A nova diretriz surge em um contexto de ofensiva russa intensificada em algumas áreas da frente no ano passado, com foco na captura de cidades-chave como Pokrovsk.

Contexto de perdas e estratégia russa

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Fedorov afirmou que as tropas ucranianas já documentam, por meio de vídeos, cerca de 35.000 eliminações mensais de soldados russos. Dados de outras fontes variam: o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, citou em 16 de janeiro uma estimativa de 20.000 a 25.000 mortes russas por mês. Rutte classificou essa taxa como "insustentável" para a Rússia, comparando-a com as perdas soviéticas na invasão do Afeganistão em 1979, que totalizavam cerca de 15.000 por mês.

O comandante-em-chefe ucraniano, general Oleksandr Syrskyi, declarou em dezembro que, pela primeira vez, suas forças causaram mais baixas (mortos e feridos) em um mês do que o Kremlin conseguiu recrutar no mesmo período. A natureza das operações russas, que frequentemente dependem de ataques de infantaria contínuos e com alto número de vítimas, alimenta discussões sobre um possível ponto de ruptura na capacidade de reposição de tropas.

Impacto no esforço de guerra russo

"Se alcançarmos a marca de 50.000, veremos o que acontece com o inimigo. Eles tratam as pessoas como um recurso, e os problemas com esse recurso já são óbvios", disse Fedorov. A Rússia não divulga oficialmente suas perdas, mas análises internacionais e ucranianas estimam que o número total de baixas (mortos e feridos) pode ultrapassar 1 milhão de pessoas em quase quatro anos de guerra.

O Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou no início de janeiro que o Kremlin pode ter sofrido pelo menos 1,2 milhão de baixas totais desde fevereiro de 2022. Para sustentar os níveis de tropas, a Rússia tem dependido de bônus generosos para alistamento de soldados contratados, além de recrutar em prisões e contratar estrangeiros por canais informais.

Mudanças na estratégia ucraniana e cenário futuro

Fedorov, que assumiu o cargo na semana passada, prometeu em seu discurso de abertura aos parlamentares ucranianos desviar mais recursos para unidades de drones. Estima-se que os drones sejam responsáveis por 70% a 90% das baixas infligidas durante a guerra. No entanto, ele não detalhou como pretende aumentar especificamente o número de mortes em combate.

Este novo objetivo estratégico é traçado enquanto os Estados Unidos tentam negociar um cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia. Muitas das ações recentes de guerra do Kremlin, como as tentativas de tomar Pokrovsk, são vistas na Ucrânia como manobras para se posicionar de forma mais forte nas negociações. Fedorov, anteriormente ministro da Transformação Digital da Ucrânia, iniciou seu mandato com promessas de reforma agressiva na estrutura militar e na distribuição de recursos para os combatentes.