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A União Europeia (UE) está considerando impor tarifas de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos. A medida de retaliação ocorre após ameaças do presidente americano, Donald Trump, aos aliados da Otan que se opuserem à sua proposta de anexar a Groenlândia. Segundo o jornal Financial Times, esta é a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas.

Os 27 embaixadores da UE reativaram o plano de tarifas neste domingo, juntamente com o chamado instrumento anticoerção (ACI). A lista de tarifas havia sido elaborada no ano passado, mas estava suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial generalizada. A reativação acontece após Trump prometer impor tarifas de 10% sobre produtos do Reino Unido, Noruega e seis países da UE que enviaram tropas para a Groenlândia para um exercício militar.

Poder de barganha em Davos

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As medidas estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus poder de barganha em reuniões cruciais com o presidente dos EUA no Fórum Econômico Mundial em Davos nesta semana. “Existem instrumentos de retaliação claros à disposição se isso continuar... [Trump] está usando métodos puramente mafiosos”, disse um diplomata europeu informado sobre a discussão. “Ao mesmo tempo, queremos pedir publicamente calma e dar a ele a oportunidade de recuar.”

Além das tarifas, os países do bloco avaliam também a possibilidade de restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu. O objetivo dos líderes europeus é buscar um meio-termo que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, o que representaria uma ameaça existencial à segurança da Europa.

Contexto da crise

A crise teve início com a exigência de Trump de obter permissão da Dinamarca – que administra a Groenlândia – para assumir o controle da ilha ártica. A ameaça de tarifas de 10% até 1º de fevereiro foi direcionada especificamente aos países que enviaram tropas para o exercício militar na região.

Os esforços europeus agora se concentram em conter a escalada da tensão durante o encontro em Davos, enquanto mantêm uma posição firme contra o que consideram táticas coercitivas. A situação coloca em risco décadas de parceria econômica e de segurança entre os dois lados do Atlântico.