Entrar
UE debate resposta a tarifas de Trump sobre anexação da Groenlândia
Mundo

UE debate resposta a tarifas de Trump sobre anexação da Groenlândia

Bloco europeu avalia desde 'bazuca comercial' até tarifas retaliatórias de 93 bilhões de euros contra pressão americana.

Redação
Redação
20 de janeiro de 2026

Os líderes da União Europeia (UE) se reúnem na quinta-feira (22) para definir uma resposta conjunta à nova ameaça tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida de Washington visa pressionar seis países membros do bloco europeu que se opõem à intenção americana de anexar o território autônomo da Groenlândia.

Trump prometeu sobretaxar oito países, sendo seis deles integrantes da UE: Dinamarca, Finlândia, Suécia, França, Alemanha e Holanda, além do Reino Unido e da Finlândia. A ameaça ocorre após esses países enviarem militares para uma missão de reconhecimento na Groenlândia, reafirmando a rejeição à escalada retórica de Washington.

O leque de opções retaliatórias da Europa

À disposição dos europeus estão três caminhos principais. O mais drástico é a ativação do chamado instrumento anticoerção (ACI), uma legislação aprovada em 2023 e apelidada de "bazuca comercial". Sua implementação permitiria à Comissão Europeia impor barreiras como restrições de mercado e bloqueios a investimentos estrangeiros, podendo, por exemplo, barrar grandes empresas de tecnologia americanas de atuarem na Europa.

Ignacio García Bercero, ex-negociador-chefe da UE em acordos com os EUA, defende o uso da ferramenta. "O que está acontecendo agora com a Groenlândia é o caso mais claro possível de coerção", afirmou Bercero. "É uma ameaça à integridade territorial de um Estado-membro da UE."

Tarifas recíprocas e acordo comercial em risco

A opção considerada mais provável é a implementação de um pacote de tarifas recíprocas sobre produtos americanos, no valor de 93 bilhões de euros. O pacote, já aprovado em 2025 em resposta a uma ofensiva tarifária anterior de Trump, afetaria setores como aeronaves, automóveis, autopeças e produtos agrícolas como a soja. Diplomatas europeus avaliam que essas contra-tarifas poderiam ser aplicadas já em fevereiro.

A terceira via seria descartar imediatamente o acordo comercial assinado entre UE e EUA em 2025, que ainda aguarda ratificação pelo Parlamento Europeu. O ministro do Exterior da Alemanha, Johann Wadephul, expressou ceticismo sobre a ratificação, afirmando que a Europa não permitirá "chantagem".

Divisões internas e o tom de desafio

Enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, pressiona pelo uso da "bazuca comercial", a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, resiste à medida, considerada uma escalada definitiva. Especialistas alertam para os riscos de uma guerra comercial para a economia europeia, orientada para exportação.

Questionado sobre uma possível retaliação europeia, Trump minimizou a capacidade de resposta do bloco. "Eu não acho que eles vão resistir muito. Olha, nós temos que tê-la [a Groenlândia]", declarou o presidente americano. Em uma mensagem ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, Trump vinculou sua iniciativa de anexação ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.

O premiê dinamarquês, Mette Frederiksen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, já afirmaram que a Europa não cederá à pressão. Merz busca um encontro com Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, mas deixou claro: "se formos confrontados com tarifas que consideramos irracionais, então somos capazes de responder".

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.