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Os líderes da União Europeia (UE) se reúnem na quinta-feira (22) para definir uma resposta conjunta à nova ameaça tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida de Washington visa pressionar seis países membros do bloco europeu que se opõem à intenção americana de anexar o território autônomo da Groenlândia.

Trump prometeu sobretaxar oito países, sendo seis deles integrantes da UE: Dinamarca, Finlândia, Suécia, França, Alemanha e Holanda, além do Reino Unido e da Finlândia. A ameaça ocorre após esses países enviarem militares para uma missão de reconhecimento na Groenlândia, reafirmando a rejeição à escalada retórica de Washington.

O leque de opções retaliatórias da Europa

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À disposição dos europeus estão três caminhos principais. O mais drástico é a ativação do chamado instrumento anticoerção (ACI), uma legislação aprovada em 2023 e apelidada de "bazuca comercial". Sua implementação permitiria à Comissão Europeia impor barreiras como restrições de mercado e bloqueios a investimentos estrangeiros, podendo, por exemplo, barrar grandes empresas de tecnologia americanas de atuarem na Europa.

Ignacio García Bercero, ex-negociador-chefe da UE em acordos com os EUA, defende o uso da ferramenta. "O que está acontecendo agora com a Groenlândia é o caso mais claro possível de coerção", afirmou Bercero. "É uma ameaça à integridade territorial de um Estado-membro da UE."

Tarifas recíprocas e acordo comercial em risco

A opção considerada mais provável é a implementação de um pacote de tarifas recíprocas sobre produtos americanos, no valor de 93 bilhões de euros. O pacote, já aprovado em 2025 em resposta a uma ofensiva tarifária anterior de Trump, afetaria setores como aeronaves, automóveis, autopeças e produtos agrícolas como a soja. Diplomatas europeus avaliam que essas contra-tarifas poderiam ser aplicadas já em fevereiro.

A terceira via seria descartar imediatamente o acordo comercial assinado entre UE e EUA em 2025, que ainda aguarda ratificação pelo Parlamento Europeu. O ministro do Exterior da Alemanha, Johann Wadephul, expressou ceticismo sobre a ratificação, afirmando que a Europa não permitirá "chantagem".

Divisões internas e o tom de desafio

Enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, pressiona pelo uso da "bazuca comercial", a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, resiste à medida, considerada uma escalada definitiva. Especialistas alertam para os riscos de uma guerra comercial para a economia europeia, orientada para exportação.

Questionado sobre uma possível retaliação europeia, Trump minimizou a capacidade de resposta do bloco. "Eu não acho que eles vão resistir muito. Olha, nós temos que tê-la [a Groenlândia]", declarou o presidente americano. Em uma mensagem ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, Trump vinculou sua iniciativa de anexação ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.

O premiê dinamarquês, Mette Frederiksen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, já afirmaram que a Europa não cederá à pressão. Merz busca um encontro com Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, mas deixou claro: "se formos confrontados com tarifas que consideramos irracionais, então somos capazes de responder".