O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) afirmou que sua unidade de forças especiais "Alpha" destruiu ou danificou sistemas de defesa aérea russos avaliados em cerca de US$ 4 bilhões ao longo do último ano. Os ataques de longo alcance, realizados principalmente com drones, visaram radares e baterias antiaéreas, criando brechas nas defesas russas.
Segundo a comunicação oficial da agência de segurança ucraniana, feita nesta segunda-feira, as ações da unidade de elite abriram corredores nas camadas de defesa aérea da Rússia. Essas brechas permitiram que drones ucranianos de longo alcance penetrassem profundamente atrás das linhas inimigas para atingir alvos como bases militares, depósitos e aeródromos.
Alvos de alto valor atingidos
O SBU listou os tipos de sistemas atingidos, que vão desde modelos soviéticos até os mais avançados da Rússia. Entre os equipamentos destruídos ou danificados estão os sistemas S-300 e S-400, os BUK M-1 e M-2, os Pantsir S-1 e S-2 e as famílias Tor-M1, M2 e M3. A lista inclui ainda estações de radar de reconhecimento e orientação, como o radar Nebo-U e o Gamma-D.
Box explicativo: O S-400 "Triumf" é considerado um dos sistemas antiaéreos mais avançados do mundo, capaz de engajar alvos a até 400 km de distância. Sua perda representa um golpe significativo nas capacidades defensivas russas.
Impacto estratégico no campo de batalha
A unidade "Alpha" é considerada uma das melhores forças especiais da Ucrânia e tem conduzido operações de ataque a distância contra alvos russos com frequência. Em novembro, o SBU havia informado que o grupo causou a morte de mais de 1.500 soldados russos e destruiu dezenas de tanques, veículos blindados, lançadores de foguetes múltiplos e sistemas de defesa aérea em um único mês.
Os sistemas de defesa aérea são um componente integral deste conflito, moldando fundamentalmente como a guerra é travada. Tanto a Rússia quanto a Ucrânia possuíam, no início da invasão em fevereiro de 2022, o primeiro e o segundo maiores arsenais de defesa aérea da Europa, respectivamente. Sua proliferação restringiu severamente as operações aéreas na linha de frente, impedindo que qualquer lado assegurasse o controle permanente dos céus.
Contexto mais amplo e alertas para a OTAN
A guerra na Ucrânia levantou alertas na Europa e na OTAN sobre a escassez de defesas aéreas terrestres. O investimento nesse tipo de equipamento diminuiu após a Guerra Fria. A aliança ocidental prometeu um grande investimento, mas esse tipo de escalonamento leva tempo, e os fabricantes já enfrentam grandes atrasos devido ao aumento da demanda global.
Justin Bronk, especialista em poder aéreo do instituto Royal United Services Institute (RUSI), advertiu em um relatório deste mês que, apesar da perda de sistemas russos, o país ainda mantém várias centenas de baterias de diferentes sistemas de mísseis superfície-ar (SAM) em serviço. Bronk afirmou ainda que as defesas russas se tornaram "significativamente mais eficazes" em abater ativos aéreos ucranianos conforme aprendem com a guerra, e continuam sendo "uma ameaça altamente potente para as capacidades aéreas da OTAN em um contexto europeu".
Para continuar resistindo, a Ucrânia recebeu sistemas de defesa aérea de nações parceiras, desde os avançados Patriots americanos até os improvisados "FrankenSAMs", que misturam lançadores soviéticos com mísseis ocidentais. O país também desenvolve seus próprios sistemas para reduzir a dependência, mas clama por mais defesas e interceptadores, já que a Rússia continua a lançar barragens massivas de mísseis e drones contra infraestruturas civis e militares.