O YouTube anunciou nesta quarta-feira que, ainda este ano, criadores de conteúdo poderão produzir vídeos da modalidade Shorts utilizando uma versão artificial de sua própria imagem e voz. A novidade foi revelada pelo CEO global da plataforma, Neal Mohan, em sua carta anual. A ferramenta visa ampliar a expressão criativa, mas a empresa garante que a inteligência artificial atuará como um recurso complementar, não como um substituto.
Os Shorts, vídeos verticais de curta duração, são um dos formatos de maior sucesso da plataforma, registrando uma média de 200 bilhões de visualizações diárias. A nova funcionalidade de "likeness" (semelhança) se somará ao conjunto de ferramentas de IA já disponíveis para a criação de Shorts, que inclui a geração de clipes, a criação de figurinhas e a dublagem automática.
Controle e proteção para os criadores
Paralelamente à liberação da ferramenta de criação, o YouTube está equipando os criadores com mecanismos para gerenciar e proteger o uso de sua imagem em conteúdos gerados por IA. "Ao longo desta evolução, a IA permanecerá uma ferramenta para expressão, não uma substituição", afirmou Mohan em sua carta.
Desde outubro de 2023, a plataforma já disponibiliza para criadores elegíveis uma tecnologia de detecção de semelhança. Esse sistema identifica vídeos gerados por IA que utilizam indevidamente a imagem ou a voz de um criador, permitindo que ele solicite a remoção desse conteúdo. A medida é uma resposta ao desafio do "AI slop" – termo usado para se referir ao conteúdo de baixa qualidade massivamente produzido por IA – que afeta várias redes sociais.
Combate a conteúdo de baixa qualidade e novos formatos
Mohan destacou que a empresa está trabalhando para manter uma experiência de visualização de alta qualidade. "Para reduzir a propagação de conteúdo de IA de baixa qualidade, estamos construindo ativamente sobre nossos sistemas estabelecidos, que foram muito bem-sucedidos no combate ao spam e ao clickbait", escreveu o executivo.
Além das inovações em IA, o YouTube planeja expandir os formatos disponíveis dentro do Shorts. A plataforma testará a inclusão de posts de imagem estática, um formato que já é popular em concorrentes diretos como o TikTok e os Reels do Instagram.
A implementação dessas ferramentas reflete a aposta contínua do YouTube no formato de vídeos curtos para sustentar e ampliar seu engajamento. A empresa, propriedade do Google, busca equilibrar a inovação tecnológica com a responsabilidade de moderar seu ecossistema, garantindo espaço para novas tendências criativas enquanto protege a autenticidade e os direitos dos criadores.