A principal advogada do Goldman Sachs, Kathy Ruemmler, está deixando o banco de investimentos após a divulgação de e-mails que detalham sua relação pessoal e profissional com Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais. Sua saída será efetiva em 30 de junho, conforme comunicado de seu representante ao Business Insider.
Ruemmler, que ingressou no Goldman Sachs em 2020 após uma carreira de destaque no escritório de advocacia Latham & Watkins, afirmou em comunicado que sua função era "colocar os interesses do Goldman Sachs em primeiro lugar". O CEO do banco, David Solomon, declarou respeitar a decisão da executiva, destacando que ela foi "mentora e amiga de muitos de nossos funcionários".
E-mails revelam intimidade e troca de favores
Os documentos, liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA no mês passado em cumprimento à Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, mostram que Ruemmler compartilhava detalhes profundamente pessoais com Epstein e pedia conselhos sobre carreira e imóveis. Em uma troca de mensagens, ela se referia a ele como "Tio Jeffrey".
A advogada discutiu com ele um caso extraconjugal, agradeceu efusivamente por presentes como bolsas e sapatos de grife e pediu sua opinião sobre aceitar ou não a posição de Procuradora-Geral dos Estados Unidos durante o governo Obama. Em um e-mail de 2018, após receber uma bolsa de designer, escreveu: "Tão lindo e atencioso! Obrigada, Tio Jeffrey!!!".
Assessoria profissional ao criminoso
Embora representantes do Goldman Sachs tenham afirmado que Ruemmler nunca representou Epstein pessoalmente como cliente, os e-mails revelam que ela ofereceu orientação jurídica para ele combater um processo movido por mulheres que o acusavam de abuso sexual. Ela também aconselhou o financista sobre como responder à imprensa às alegações de que abusou sexualmente de menores de idade.
O caso refere-se a uma tentativa de anular um acordo de não persecução firmado com promotores em 2008, ano em que Epstein se declarou culpado por crimes sexuais.
Reação do Goldman Sachs e arrependimento
No mês passado, após a divulgação dos e-mails, o porta-voz do Goldman Sachs, Tony Fratto, emitiu uma nota afirmando ser "bem sabido que Epstein frequentemente oferecia favores e presentes não solicitados a seus muitos contatos comerciais". A nota também destacou que Ruemmler teve uma "associação profissional" com Epstein quando era sócia de um grande escritório de advocacia e que "ela lamenta tê-lo conhecido".
A saída de Ruemmler ocorre em um momento de maior escrutínio sobre os vínculos entre figuras de elite e Jeffrey Epstein, cujo caso continua a gerar repercussões anos após sua morte na prisão, em 2019.