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Documentos investigativos recentemente tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, relacionados aos crimes sexuais do financista Jeffrey Epstein, mencionam a suposta participação de outras personalidades conhecidas. Entre os nomes que aparecem nos registros estão o cofundador da Microsoft, Bill Gates, o empresário da Tesla e SpaceX, Elon Musk, e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

A divulgação ocorre após a sanção da chamada Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, em 19 de novembro, que determinou a liberação dos documentos até 19 de dezembro. O material inclui e-mails atribuídos a Epstein e alegações recebidas pelo FBI.

Alegações envolvendo Bill Gates

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De acordo com as investigações, e-mails atribuídos a uma conta que teria pertencido a Jeffrey Epstein sugerem que Bill Gates teria tentado ocultar de sua então esposa, Melinda French Gates, uma infecção sexualmente transmissível. A suposta contaminação teria ocorrido após relações sexuais com garotas russas.

Em outra mensagem, Epstein afirma ter ajudado o empresário a obter drogas para lidar com as consequências desses encontros e também para facilitar reuniões ilícitas com mulheres casadas. O porta-voz de Gates negou veementemente as acusações ao jornal Financial Times, classificando o conteúdo como “absolutamente absurdas e completamente falsas”.

Troca de e-mails com Elon Musk

Elon Musk também aparece citado nos arquivos. E-mails incluídos nos documentos mostram trocas de mensagens entre o empresário e Epstein em 2012 e 2013, discutindo uma possível visita de Musk à ilha Little St. James, propriedade de Epstein.

“Estarei na região das Ilhas Virgens Britânicas/St. Barth durante as férias. Existe uma boa época para visitar?”, escreveu Musk em 13 de dezembro de 2013. Epstein respondeu: “Qualquer dia entre o dia 1 e o dia 8. Se quiser, pode decidir na hora. Sempre há espaço para você”. As mensagens indicam que a viagem não teria ocorrido devido a problemas logísticos.

Musk tem sido publicamente crítico de pessoas associadas a Epstein, declarando que o financista “tentou repetidamente me convencer a visitar sua ilha. Eu recusei”.

Menções a Trump e figura real

O nome de Donald Trump aparece repetidamente nos arquivos relacionados a Epstein. Parte do material reunido pelo FBI inclui denúncias feitas por pessoas que entraram em contato com a linha direta do Centro Nacional de Operações contra Ameaças, com alegações de abuso sexual envolvendo Trump e Epstein.

Trump sempre negou qualquer irregularidade ligada a Epstein e não foi formalmente acusado de crimes pelas vítimas do financista. O Departamento de Justiça dos EUA declarou que “alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump”.

Os arquivos também apontam para uma suposta troca de mensagens entre Jeffrey Epstein e uma pessoa identificada como “O Duque”, que seria Andrew Mountbatten-Windsor, o Duque de York. As trocas, de agosto de 2010, mencionam um jantar no Palácio de Buckingham e a oferta de apresentar “O Duque” a uma mulher russa de 26 anos.

Contexto e próximos passos

Jeffrey Epstein foi condenado em 2008 por aliciamento de uma menor e foi encontrado morto em sua cela em 2019, aguardando julgamento por novos crimes sexuais. A divulgação dos documentos visa trazer transparência ao caso, mas autoridades alertam que parte do conteúdo contém alegações não verificadas.

O Departamento de Justiça segue analisando o material, e especialistas em direito indicam que as menções a figuras públicas nos arquivos não constituem, por si só, prova de envolvimento em atividades criminosas.