Auditor da Receita acessou dados de parente de Gilmar Mendes, diz associação
Política

Auditor da Receita acessou dados de parente de Gilmar Mendes, diz associação

Servidor teria verificado informações em novembro para confirmar vínculo com antigo conhecido, segundo presidente da Unafisco.

Redação
Redação

18 de fevereiro de 2026

O presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, afirmou nesta quarta-feira (18) que um auditor-fiscal da Receita Federal confirmou ter acessado dados de uma parente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes em novembro do ano passado. A declaração ocorre um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca contra quatro servidores suspeitos de envolvimento no vazamento de dados de ministros da Corte e familiares.

Segundo Cabral, o servidor foi ouvido pela administração da Receita e explicou que o acesso foi feito para verificar se a pessoa era parente de um antigo colega. O caso é um desdobramento do inquérito das fake news, que apura acessos ilícitos ao sistema da Receita e o vazamento de informações sigilosas.

Explicação do auditor e críticas à operação

Em entrevista, Kleber Cabral relatou os detalhes fornecidos pelo auditor. “Ele teria feito um acesso em meado de novembro do ano passado. Ele lembrou disso e fez a explicação. Ele tava atrás de saber se essa pessoa era uma ex-mulher, enfim, era uma parente de um colega com o mesmo sobrenome da mesma região lá de Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, e que tinha sido amigo dele de longa data e ele foi fazer isso. Quer dizer, pode fazer? Não, não pode”, contou o presidente da Unafisco.

Cabral destacou que o acesso foi limitado. “Ele só ficou naquela telinha inicial de vínculo de parente, entendeu? E isso, de uma declaração de 2008, ou seja, quem é que vai querer pegar dados de alguém de 2008 para vazar hoje.” Ele também afirmou que o servidor negou ter acessado dados bancários e que o episódio “não tem absolutamente nada a ver com os fatos que estariam sendo investigados”.

Contexto da investigação da PF

Na terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Salvador, no Guarujá e em São José do Rio Preto (SP). As medidas foram determinadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes após representação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com o Supremo, a investigação apura “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal e o vazamento das informações sigilosas”.

Críticas ao método da Polícia Federal

Durante a entrevista, o presidente da Unafisco criticou a forma da operação policial. “Esse tipo de medida busca humilhar, constranger e amedrontar. Se você perguntar hoje quem está disposto a organizar um grupo de fiscalização para investigar autoridades, provavelmente não encontrará ninguém. Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”, declarou Cabral.

Ele também questionou a conexão estabelecida entre o acesso do auditor e os supostos vazamentos. “Isso é muito diferente de mandar mais de 100 pessoas para fazer uma apuração aberta. A chance de falso positivo é enorme”, afirmou.

Próximos passos

O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que atua com base nas determinações do ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news. A Unafisco Nacional, associação que representa os auditores-fiscais, defende que o acesso relatado foi pontual e sem relação com o vazamento de dados que motiva a operação.

Deixe seu Comentário
0 Comentários

Privacidade e Cookies

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa política.