Sam Basu, ex-engenheiro sênior do Google, e Arushi Vashist, ex-engenheira sênior do LinkedIn, fundaram a startup Amari AI para modernizar o trabalho de despachantes aduaneiros nos Estados Unidos. A empresa, que saiu do modo stealth nesta quinta-feira, utiliza inteligência artificial para automatizar a entrada de dados e a papelada, em um setor que ainda depende fortemente de máquinas de fax e documentos físicos.
A Amari AI já conquistou mais de 30 clientes e auxiliou na movimentação de mais de US$ 15 bilhões em mercadorias. A startup também levantou US$ 4,5 milhões em financiamento liderado pelas renomadas empresas de capital de risco First Round Capital e Pear VC.
Caos nas políticas comerciais impulsiona demanda
O cenário de políticas comerciais voláteis sob a administração do presidente Donald Trump aumentou a importância dos despachantes aduaneiros, segundo Chris Bachinski, CEO da centenária empresa GHY International. Muitas empresas não possuem equipe de compliance própria e dependem desses profissionais para entender como mudanças súbitas nas regras afetam suas mercadorias, especialmente as já em trânsito.
“É uma indústria antiga, e a tecnologia vai mudar nosso setor mais rápido do que a maioria dos despachantes aduaneiros entende”, afirmou Bachinski, que é um dos primeiros usuários da Amari. Ele brinca que, pela primeira vez na história, as famílias sabem o que os despachantes fazem, pois eles se tornaram “muito, muito importantes”.
Foco na retenção de mão de obra especializada
Sam Basu explicou que o setor sofre com esgotamento profissional, uma base de funcionários rigidamente regulamentada e uma taxa de aprovação no exame de licenciamento que gira em torno de 10% a 20%. “Pessoas experientes estão deixando a indústria ou se aposentando antecipadamente”, disse Basu. A proposta da Amari é ser um “conjunto extra de mãos” que as empresas de logística podem contratar para trabalhar junto à expertise humana.
Os agentes de IA da startup monitoram constantemente as regras comerciais e atualizam seu raciocínio sempre que há uma mudança, agilizando o processo de liberação de carga. Anteriormente, mudanças súbitas exigiam pesquisa manual, que retardava a capacidade dos despachantes.
Treinamento de modelos com dados anônimos
A Amari constrói seus próprios modelos de IA treinados em mais de um milhão de documentos relacionados às remessas que já ajudou a liberar na alfândega. Basu afirmou que a empresa vem utilizando modelos prontos até o momento e ressaltou que alguns clientes optam por não participar desse treinamento. “Nós não vendemos os dados deles, e garantimos que os dados são deles”, afirmou, explicando que as informações são anonimizadas antes de alimentar os modelos.
Todd Jackson, sócio da First Round Capital, atribuiu o sucesso inicial da Amari à disposição de Basu de “bater perna” para aprender as necessidades dos despachantes, frequentando conferências e feiras do setor.
Bachinski, da GHY, afirmou que a maior preocupação entre seus funcionários tem sido a perda de empregos, mas ele os tranquilizou. A expectativa é que tecnologias como a da Amari ajudem a empresa a crescer e a focar mais nos relacionamentos com clientes e no trabalho de compliance, em vez de substituir pessoas.