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Dorenne Simonson, 66 anos, tornou-se mãe novamente em 2022, aos 64, quando assumiu a guarda de sua neta recém-nascida, colocada no sistema de acolhimento familiar. A avó, que já criou cinco filhos sozinha, teve de se licenciar do trabalho em um consultório médico e se adaptar a uma rotina exaustiva para cuidar da criança, que nasceu com síndrome de abstinência neonatal devido ao uso de substâncias pela mãe biológica. A situação ilustra os desafios financeiros e logísticos enfrentados por avós que assumem a parentalidade de netos, um fenômeno conhecido como "cuidado por parentesco".

Para se tornar cuidadora legal, Simonson precisou obter uma licença de pai/mãe de acolhimento familiar no estado de Nova Jersey. A neta foi entregue a ela pela Divisão de Proteção à Criança e Permanência apenas quatro dias após o primeiro contato da assistente social. "Tive um pouco de aviso, mas não muito", relatou Simonson em entrevista ao *Business Insider*.

Rotina exaustiva e custos imprevistos

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A rotina diária começa às 5h30 para preparar o almoço da criança. O trajeto até o trabalho, após deixar a neta na creche, pode levar uma hora e meia devido ao trânsito. Após o expediente, que vai das 8h às 16h30, Simonson busca a menina, prepara o jantar, dá banho e realiza a rotina noturna, que inclui leitura de livros até as 20h, quando a criança dorme. "Isso é todos os dias, e simplesmente não tem fim", desabafou.

Os fins de semana são dedicados a tarefas domésticas e ao preparo de refeições para a semana. Um dos maiores impactos financeiros veio com a compra de fórmula infantil, que custava US$ 50 por lata durante o desabastecimento de 2022 e durava menos de uma semana. "Foi também revelador para mim o quanto as pessoas pagam agora por fraldas", completou.

Desafios médicos e apoio limitado

A neta de Simonson nasceu com síndrome de abstinência neonatal, condição que exigiu cuidados médicos especializados no rescaldo da pandemia. "Ela estava passando por abstinência. Certas coisas a desencadeavam, como uma visita com a mãe ou o pai. Ela ficava inconsolável por horas a fio", explicou a avó.

A empresa onde trabalha permitiu que ela tirasse seis semanas de licença, período usado para conseguir consultas médicas. O filho mais novo, que mora com ela, tem um horário de trabalho noturno e não pode ajudar regularmente. Os outros quatro filhos moram em outros estados. "Minha vida é muito cuidadosamente planejada neste momento. Não posso simplesmente largar tudo e sair para fazer coisas", afirmou.

Futuro incerto e planejamento financeiro

Simonson recebe um auxílio-estado de Nova Jersey para a neta e faz um esforço consciente para poupar a maior parte desse valor para necessidades futuras da criança. No entanto, ela se preocupa com o fim do financiamento estadual para a creche, que ocorrerá quando a menina ingressar no ensino fundamental em tempo integral. "Vou ter que descobrir como pagar pelo cuidado antes ou depois da escola", projetou.

Seu plano é adotar formalmente a neta quando puder arcar com os custos do processo judicial. "Meu plano é apenas continuar a todo vapor e resolver as coisas conforme avançamos. Não sinto que realmente tenho escolha", concluiu Dorenne Simonson, que espera viver o suficiente para ver a neta na faculdade.