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A startup de energia de fusão Helion anunciou nesta sexta-feira (7) que atingiu um marco crucial em seu reator experimental Polaris, localizado em Everett, no estado de Washington, EUA. Os plasmas no interior do equipamento alcançaram a temperatura de 150 milhões de graus Celsius, um passo fundamental para a geração comercial de energia limpa e praticamente ilimitada.

Segundo a empresa, essa temperatura representa 75% do objetivo necessário para operar uma usina de fusão comercial. A Helion também se tornou a primeira empresa do setor a operar um reator usando combustível de deutério-trítio, uma mistura de isótopos de hidrogênio que aumentou dramaticamente a produção de energia na forma de calor.

Corrida bilionária por energia do futuro

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A Helion integra um grupo seleto de empresas que disputam a comercialização da fusão nuclear, atraindo investimentos vultosos. No último ano, a startup levantou US$ 425 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) de investidores como Sam Altman, da OpenAI, e os fundos Mithril, Lightspeed e SoftBank.

O setor como um todo movimentou centenas de milhões apenas nos últimos meses: a Commonwealth Fusion Systems arrecadou US$ 863 milhões (R$ 4,3 bilhões) no verão passado, e a Type One Energy busca US$ 250 milhões (R$ 1,25 bilhão). A potencialidade da tecnologia, vista como uma fonte limpa e segura, explica o interesse massivo.

Design inovador e meta ambiciosa

Diferente da maioria dos concorrentes, que usam reatores tokamak em formato de donut, a Helion emprega uma configuração de campo reverso. O reator em forma de ampulheta acelera plasmas de combustível de extremidades opostas, que se fundem e são comprimidos por poderosos ímãs – todo o processo dura menos de um milissegundo.

Outra inovação está na geração de energia. Em vez de extrair calor para movimentar turbinas, a tecnologia da Helion aproveita o campo magnético gerado pela própria reação de fusão para induzir corrente elétrica diretamente, um método que promete maior eficiência.

“Nosso foco está na parte da eletricidade, em gerar eletricidade, em vez de nos marcos científicos puros”, afirmou David Kirtley, cofundador e CEO da Helion, em entrevista ao TechCrunch, evitando comentar se a empresa já atingiu o "breakeven" científico, quando a reação gera mais energia do que consome.

Combustível do futuro e contrato com a Microsoft

Apesar de usar deutério-trítio no Polaris, o plano de longo prazo da empresa é utilizar uma mistura de deutério-hélio-3. Este combustível produz mais partículas carregadas, ideais para o método de geração direta de eletricidade da Helion. O hélio-3, escasso na Terra, será produzido pela própria empresa a partir de reações de deutério.

Enquanto outras startups miram o início da década de 2030, a Helion tem um prazo mais apertado. A empresa firmou um contrato com a Microsoft para fornecer eletricidade a partir de 2028. A energia virá de um reator comercial maior, chamado Orion, atualmente em construção e projetado para gerar 50 megawatts.

“Nosso objetivo final não é construir e entregar o Polaris”, explicou Kirtley. “Isso é um passo no caminho para usinas de energia em escala.” O próximo marco da empresa é elevar a temperatura do plasma para 200 milhões de graus Celsius, considerado o "ponto ideal" para operação comercial.