O governo da Índia anunciou nesta terça-feira (4) um plano agressivo para atrair mais de US$ 200 bilhões em investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) nos próximos dois anos. O objetivo é posicionar o país como um centro global para computação e aplicações de IA, em um momento em que capacidade, capital e regulação se tornam ativos estratégicos.
O ministro de Tecnologia da Informação da Índia, Ashwini Vaishnaw, detalhou as medidas durante o AI Impact Summit, evento de cinco dias apoiado pelo governo e realizado em Nova Delhi. O encontro contou com a presença de executivos seniores da OpenAI, Google, Anthropic e outras grandes empresas de tecnologia globais.
Incentivos para atrair investidores
Para alcançar a meta bilionária, o governo indiano está lançando uma combinação de incentivos fiscais, capital de risco estatal e apoio político. A iniciativa visa atrair mais elos da cadeia global de valor da IA para o país do sul da Ásia.
O plano ocorre em um cenário onde gigantes da tecnologia dos EUA, incluindo Amazon, Google e Microsoft, já se comprometeram a investir cerca de US$ 70 bilhões para expandir a infraestrutura de IA e nuvem na Índia. Esse montante está incluído na projeção total de US$ 200 bilhões e serve como base para o argumento de Nova Delhi de que o país pode combinar escala, vantagens de custo e incentivos políticos.
Foco além da infraestrutura
Embora a maior parte dos investimentos seja direcionada a infraestrutura – como data centers, chips e sistemas de suporte –, Vaishnaw afirmou que o governo também espera captar US$ 17 bilhões adicionais para deep-tech e aplicações de IA. Isso reflete uma estratégia para ir além da infraestrutura básica e capturar mais valor na cadeia produtiva.
O esforço é respaldado por decisões políticas recentes, como a isenção fiscal de longo prazo para serviços de nuvem voltados à exportação e um programa de venture capital de ₹100 bilhões (cerca de US$ 1,1 bilhão) apoiado pelo governo, focado em áreas de alto risco, como IA e manufatura avançada.
Expansão da capacidade de computação
O ministro anunciou que a Índia planeja escalar sua capacidade de computação compartilhada sob a IndiaAI Mission, indo além dos atuais 38.000 GPUs (unidades de processamento gráfico). 20.000 unidades adicionais serão incorporadas nas próximas semanas, marcando o que ele descreveu como a próxima fase da estratégia nacional de IA.
"Vimos fundos de venture capital comprometendo recursos para startups de deep-tech, para grandes soluções e aplicações, e para pesquisas adicionais em modelos de ponta", afirmou Vaishnaw em coletiva de imprensa à margem do evento.
Desafios e próximos passos
A iniciativa enfrenta desafios estruturais, como o acesso a energia elétrica confiável e água para os data centers de alto consumo. Vaishnaw reconheceu essas pressões sobre os recursos, mas destacou que mais da metade da capacidade instalada de geração de energia da Índia vem de fontes limpas, o que seria uma vantagem.
O governo está preparando uma segunda fase da IndiaAI Mission, com foco maior em pesquisa e desenvolvimento, inovação e difusão mais ampla das ferramentas de IA, além da expansão contínua da capacidade de computação compartilhada. O objetivo é ampliar o acesso à infraestrutura de IA para além de um pequeno grupo de empresas.
A capacidade da Índia de concretizar essa visão terá impacto global, à medida que empresas buscam novos locais para computação de IA diante do aumento de custos, restrições de capacidade e competição internacional acirrada.