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BO registra agressão e injúria racial contra diplomata antes de morte na COP30
Política

BO registra agressão e injúria racial contra diplomata antes de morte na COP30

Documento policial descreve confusão em bar de Belém envolvendo superior hierárquico do Itamaraty.

Redação
Redação

30 de dezembro de 2025 ·
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Um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil do Pará detalha um episódio de agressão física e injúria racial sofrido pelo diplomata Filipe Brito Hamburgo, de 28 anos, semanas antes de seu falecimento. O terceiro-secretário do Itamaraty foi vítima de um soco desferido por seu superior hierárquico, Thiago da Cunha Cavalcanti, primeiro-secretário, durante uma confusão em um bar no bairro da Cidade Velha, em Belém, na noite de 8 de novembro. O incidente ocorreu durante o período em que ambos atuavam na COP30, a conferência do clima da ONU.

O documento policial, ao qual o portal iG teve acesso, relata que a agressão provocou uma luta corporal breve, resultando em um deslocamento no ombro de Filipe. A situação foi contida por seguranças do estabelecimento. Já do lado de fora do bar, Cavalcanti teria continuado a ofender verbalmente o colega, proferindo a frase “tá tranquilo agora, negão?”, registrada no BO como injúria racial. O caso foi enquadrado como lesão corporal e injúria racial.

Processo administrativo e morte

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À época, conforme o próprio registro, Filipe informou às autoridades que não formalizaria representação criminal contra o agressor. Cerca de um mês após o incidente, já em Brasília, o diplomata passou a responder a um processo administrativo disciplinar (PAD). Ele foi afastado preventivamente de suas funções e teve o acesso às dependências do ministério suspenso. No dia seguinte à adoção da medida, Filipe tirou a própria vida.

Até o momento, não há confirmação oficial de que exista relação direta entre o conflito ocorrido no Pará, a instauração do PAD e a morte do diplomata. O Itamaraty sustenta que o processo no qual Filipe figurava como investigado não guarda relação com os fatos ocorridos em Belém.

Cobrança por transparência

O registro policial é o documento que a ONG Educafro solicitou ao Itamaraty nesta terça-feira (30), por meio da Lei de Acesso à Informação. A entidade questiona como o episódio foi conduzido internamente e cobra esclarecimentos oficiais sobre a denúncia de racismo ocorrida durante a COP30.

Para a Educafro, a sucessão de fatos – que inclui a denúncia de racismo, uma jornada de trabalho considerada extenuante e um processo mantido sob sigilo – demanda apuração rigorosa, transparência e uma revisão das políticas de acolhimento e saúde mental no serviço exterior brasileiro.

O Portal iG procurou o Itamaraty e a ONG Educafro para comentar o caso, mas até a publicação desta matéria não havia obtido retorno. O espaço para manifestação segue aberto.

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