O Cadillac Escalade IQL 2026, um SUV elétrico de luxo da General Motors (GM) com 9.000 libras (cerca de 4 toneladas), foi testado por uma repórter da TechCrunch durante uma semana, incluindo uma viagem a Lake Tahoe, nos Estados Unidos. O veículo, que tem preço inicial de US$ 130.405 (aproximadamente R$ 650 mil), combinou conforto tecnológico extremo com desafios práticos de uso, especialmente na recarga da bateria em condições de inverno.
A experiência revelou uma evolução na percepção do condutor, que passou de uma rejeição inicial pelo tamanho do carro para uma admiração surpreendente, impulsionada pelo seu desempenho em uma forte tempestade de neve. O teste destacou as vantagens e as deficiências de um dos maiores veículos elétricos de consumo atualmente no mercado.
Tecnologia e conforto no interior
O interior do Escalade IQL é dominado por uma tela curva de LED de 55 polegadas com resolução 8K que ocupa todo o painel. Passageiros da primeira e segunda fileiras têm telas individuais – de 12,6 polegadas atrás –, além de mesas retráteis, carregadores sem fio e, na versão mais luxuosa, assentos com massagem.
O espaço interno é generoso: a perna dianteira tem 45,2 polegadas (cerca de 115 cm); a segunda fileira, 41,3 polegadas (105 cm); e a terceira, 32,3 polegadas (82 cm). O carro vem com sistema de som AKG Studio de 38 alto-falantes e opera com Wi-Fi 5G.
Desempenho e frustrações no uso diário
O SUV, apesar das dimensões colossais – 228,5 polegadas de comprimento (5,8 metros) e 94,1 de largura (2,4 metros) –, mostrou-se ágil para o seu porte. Ele é equipado com o Super Cruise, sistema de condução sem as mãos da GM, que gerou certa insegurança na repórter durante o teste.
Pontos negativos incluíram a abertura complicada do porta-malas dianteiro ("frunk") e falhas no software de desligamento do veículo, que obrigaram a manobras rebuscadas para desativá-lo. A experiência de software foi considerada inferior à de marcas como a Tesla, uma crítica comum entre proprietários de múltiplos EVs.
O grande desafio: recarregar na neve
O ponto mais crítico do teste foi a infraestrutura de recarga. Com uma bateria de 205 kWh, o Escalade consome cerca de 45 kWh a cada 100 milhas, uma taxa elevada para um SUV elétrico. Em Lake Tahoe, no inverno, a repórter enfrentou uma série de obstáculos.
Um carregador Tesla Supercharger que aparecia no aplicativo MyCadillac não funcionou. Uma estação EVGo estava fechada e unidades da ChargePoint estavam quebradas ou inoperantes. A solução foi uma viagem de 12 milhas (19 km) até uma estação Electrify America, onde a família esperou uma hora pela recarga, já no fim da noite.
A virada: segurança e domínio na tempestade
A percepção sobre o veículo mudou radicalmente durante uma forte nevasca que depositou oito pés (cerca de 2,4 metros) de neve. O peso e a tração do Escalade transformaram uma situação perigosa em uma condução serena e controlada, fazendo-o se sentir "como um tanque" na neve.
Esse desempenho, somado ao conforto tecnológico, ao sistema de som e até ao "show de luzes" que o carro executa ao detectar a aproximação do dono, fez com que a repórter, inicialmente crítica, desenvolvesse um apreço inesperado pelo veículo, apesar de reconhecer seus excessos e desafios logísticos.
Contexto e especificações técnicas
O Cadillac Escalade IQL é um dos carros-chefe da estratégia de eletrificação da GM. Seu design externo inclui uma grande grade frontal iluminada (apenas estética, pois não há motor a combustão para resfriar) e faróis LED verticais. A autonomia estimada pela fabricante é de 460 milhas (740 km) sob condições ideais.
Durante o teste, um alerta no aplicativo indicou pressão incorreta nos pneus, exigindo um ajuste em um posto de gasolina durante a tempestade. Os pneus dianteiros estavam com 53 e 56 PSI, abaixo dos 61 PSI recomendados.