O desenvolvimento de um motor para a Fórmula 1 está dando à montadora Ford as ferramentas necessárias para competir com os fabricantes de automóveis chineses, segundo o presidente-executivo da empresa, Jim Farley. Em entrevista à Bloomberg, Farley destacou que o conhecimento em software obtido com a parceria na categoria de automobilismo será transferido para veículos de produção em massa.
A Ford anunciou em 2023 que forneceria motores para a equipe Oracle Red Bull Racing a partir de 2026. Na última sexta-feira, a escuderia austríaca revelou seu carro para a temporada de 2026 da F1, equipado com a unidade de potência Red Bull Ford Powertrains.
Software como diferencial competitivo
Questionado sobre como o projeto do motor de F1 ajuda a entregar melhor valor aos clientes, Farley foi direto: "É uma lista longa, mas eu diria que a verdadeira assinatura para mim é realmente o software — o software de controle para o sistema híbrido, componentes de previsão de falhas".
Para o executivo, essas capacidades são a essência do novo veículo definido por software necessário para superar a concorrência chinesa no mercado global. "Precisamos dessas capacidades da Fórmula 1, e podemos colocá-las direto na van Transit", afirmou Farley.
China na dianteira da tecnologia automotiva
Farley já elogiou publicamente, em várias ocasiões, o avanço tecnológico dos carros chineses. Em outubro de 2024, revelou que dirigia um carro elétrico da gigante chinesa de tecnologia Xiaomi há meio ano e não queria devolvê-lo.
Em julho do mesmo ano, durante o Aspen Ideas Festival, o CEO da Ford disse que os chineses têm "tecnologia embarcada muito superior", citando como exemplo a capacidade de emparelhamento entre celular e carro da Xiaomi.
EIVs: a nova fronteira
Fabricantes chineses, especialmente de veículos elétricos (EVs), têm investido pesadamente em tecnologia inteligente nos últimos anos. Um executivo da CATL, fabricante chinesa de baterias para EVs, disse durante o Fórum Econômico Mundial do ano passado que as montadoras do país estão aposentando o termo tradicional "EVs" em favor de "EIVs", ou veículos elétricos inteligentes.
Após o lançamento do modelo R1 pela empresa chinesa de IA DeepSeek no ano passado, grandes montadoras como BYD, Geely e Great Wall Motor anunciaram que integrariam a tecnologia em seus carros.
Retorno às pistas após hiato
Esta não é a primeira incursão da Ford na Fórmula 1. A montadora americana forneceu motores para a categoria de 1967 até 2004, antes de anunciar seu retorno em parceria com a Red Bull.
O trabalho conjunto no motor de F1 tem ajudado a Ford a compreender melhor os Modelos de Linguagem de Grande Porte (LLMs) e a prever falhas em componentes, benefícios que podem ser aplicados tanto para o piloto da Red Bull, Max Verstappen, quanto para os clientes da marca.