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Arqueólogos confirmaram a localização da cidade perdida de Alexandria no Tigre, fundada pelo imperador macedônio Alexandre, o Grande, no século IV a.C., no sul do Iraque. O sítio, conhecido historicamente como Charax Spasinou, funcionou como um crucial centro portuário e comercial por mais de 550 anos, ligando a Mesopotâmia à Índia, China e Afeganistão.

A redescoberta foi realizada por uma equipe internacional liderada pelo arqueólogo Stefan Hauser, da Universidade de Konstanz, na Alemanha. As pesquisas, que combinaram o uso de drones, geofísica e escavações superficiais, documentaram uma grande metrópole com ruas organizadas, templos, palácios e um extenso sistema de canais.

Tecnologia revela uma metrópole planejada

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Modelos de terreno construídos a partir de milhares de imagens de drones e varreduras com magnetômetro de césio, conduzidas pelo geofísico Jörg Fassbinder, permitiram mapear a cidade sem escavações invasivas. As análises revelaram muralhas de até oito metros de altura, grandes blocos residenciais, fornos, oficinas e áreas administrativas.

“Alexandria no Tigre deve ter cumprido sua função como um dos principais pontos do comércio antigo por 550 anos”, afirmou o arqueólogo Stefan Hauser. A cidade foi estrategicamente planejada para substituir portos antigos afetados pela sedimentação e reorganizar o fluxo de mercadorias entre o Golfo Pérsico e os rios Tigre e Karun.

Redescoberta em uma zona de conflito

O local, situado em Jebel Khayyaber, a cerca de 15 km da fronteira com o Irã, ficou décadas inacessível para pesquisas devido a conflitos regionais. A área foi afetada pela guerra Irã-Iraque (1980-1988) e, mais recentemente, pela presença do Estado Islâmico.

O primeiro registro moderno ocorreu na década de 1960, quando o pesquisador John Hansman identificou as fortificações em fotos aéreas da Royal Air Force. Expedições estrangeiras só retornaram ao local em 2014, com as equipes de Jane Moon, Robert Killick e Stuart Campbell, que confirmaram a magnitude do sítio.

Declínio e legado comercial

A cidade manteve sua importância durante os períodos do Império Parta e do Império Sassânida, mas entrou em declínio quando o curso do rio Tigre se deslocou para oeste, dificultando o acesso fluvial. Por volta do século III d.C., a sedimentação tornou o porto inoperante, levando ao abandono da cidade e à transferência de suas funções econômicas para a região onde mais tarde surgiria Basra.

O projeto de pesquisa recebeu financiamento da Gerda Henkel Stiftung, da Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG) e do Cultural Protection Fund do British Council. Novas escavações estão planejadas para investigar sistemas de irrigação, cronologia de edifícios e detalhar a vida urbana neste centro comercial esquecido.