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Os designers das marcas de moda Coach e Kate Spade, pertencentes ao grupo Tapestry, passaram a utilizar ferramentas de inteligência artificial em seu fluxo de trabalho diário de criação. A informação foi confirmada pela CEO da empresa, Joanne Crevoiserat, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre fiscal, realizada nesta quinta-feira. A adoção da tecnologia visa acelerar o processo de desenvolvimento de produtos e a cadeia de suprimentos.

Segundo Crevoiserat, o processo criativo ainda começa com esboços desenhados à mão, mantendo a essência humana e o "olhar de design". No entanto, a IA é empregada para iterar sobre esses rascunhos iniciais de forma muito mais rápida. "Eles podem fazer multiplicadores de cor. Podem fazer ajustes de design, muito mais rápido do que poderíamos no passado", explicou a executiva.

Aceleração no desenvolvimento e impacto financeiro

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A implementação da IA reduziu os prazos de desenvolvimento de produtos e da cadeia de suprimentos, contribuindo diretamente para o crescimento da empresa. O Tapestry reportou receita de US$ 2,5 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. Após o forte resultado, as ações da empresa subiram mais de 10% e acumulam valorização de 95% nos últimos doze meses.

As vendas da Coach tiveram um desempenho particularmente robusto, crescendo aproximadamente 25% na comparação anual. Crevoiserat atribuiu o sucesso, em grande parte, à popularidade da coleção de bolsas Tabby entre os clientes da Geração Z, público-alvo do grupo.

Em contrapartida, a Kate Spade registrou queda de 14% na receita no último trimestre, que totalizou US$ 360 milhões. A CEO explicou que a redução foi intencional, decorrente de uma estratégia para diminuir a atividade promocional da marca.

Tendência no setor de luxo e moda

O Tapestry não é a única empresa do setor a integrar a IA em seus estúdios de design. Um designer da grife Alice + Olivia declarou ao The Wall Street Journal, em janeiro, que vê a IA como uma "explosão de criatividade". A marca recentemente lançou uma coleção com estampas inspiradas em tarô geradas por ferramentas como Leonardo AI e Adobe Firefly.

Dentro do conglomerado francês de luxo LVMH, equipes de design também utilizam a inteligência artificial para gerar *mood boards* (painéis de inspiração), conforme revelou um diretor de TI e tecnologia da empresa em junho. A adoção se estende a designers independentes, como a designer de sedas Jasline Ang, de Singapura, que usa ChatGPT e Midjourney para criar visuais para campanhas em mídias sociais, embora ela afirme que as ferramentas não foram úteis em seu processo de criação artística em si.

O movimento reflete uma busca contínua do setor por inovação e eficiência, utilizando a tecnologia para potencializar a criatividade humana e otimizar operações, desde a concepção até a entrega ao consumidor final.