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Empresário Oscar Maroni morre aos 74 anos após luta contra Alzheimer
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Empresário Oscar Maroni morre aos 74 anos após luta contra Alzheimer

Figura polêmica da noite paulistana, dono da casa Bahamas, deixa legado marcado pelo cinismo como método de atuação pública.

Redação
Redação

31 de dezembro de 2025 ·
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O empresário Oscar Maroni morreu neste sábado (31), aos 74 anos, em São Paulo, após enfrentar a doença de Alzheimer. Maroni era conhecido nacionalmente como dono da casa noturna Bahamas, um estabelecimento que frequentemente esteve no centro de polêmicas e debates sobre prostituição e entretenimento adulto.

Sua trajetória foi marcada por uma postura cínica e calculada, que ele mesmo admitia como estratégia de negócios e sobrevivência. A morte encerra a carreira de um personagem público que personificou um tipo específico de cinismo no Brasil, transitando entre a noite, a televisão e até a política.

O "método Maroni": cinismo como estratégia

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Maroni sempre negou que o Bahamas fosse um prostíbulo, definindo-o como uma "casa de entretenimento adulto". Essa definição, segundo análises, não era sobre moralidade, mas sobre estratégia jurídica para driblar leis e manter o negócio funcionando.

Em entrevista ao apresentador Antônio Abujamra, o empresário foi direto: "Sou imoral, indecente, pornográfico, mas não sou ilegal". A tática funcionou: em 2017, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolveu Maroni de acusações de favorecimento à prostituição, permitindo a reabertura do Bahamas após anos interditado.

O caso do biquíni e a espetacularização na TV

O ápice da exposição de Maroni veio com o episódio do leilão do biquíni usado pela modelo Luma de Oliveira. Ele arrematou a peça por cerca de R$ 6 mil e recusou uma oferta de R$ 35 mil do então marido de Luma, o empresário Eike Batista, para reavê-la.

A disputa privada foi transformada em conteúdo de auditório, debatida ao vivo em vários programas de televisão. A mídia da época tratou a disputa pela posse de um objeto íntimo como curiosidade e entretenimento leve, normalizando o absurdo. Para Maroni, o que importava era o palco e a atenção, aplicando a mesma lógica de engenharia semântica usada no Bahamas.

Cinismo que migrou de cenário

Maroni tentou levar sua persona para a política, candidatando-se a vereador em São Paulo em 2008. Sua morte simboliza o fim de um tipo de personagem público que operava com cinismo explícito, mas especialistas apontam que a prática não desapareceu.

O mesmo cinismo assumido por Maroni migrou para espaços mais polidos. Hoje, se manifesta em eufemismos corporativos, em marketing que disfarça precariedade e no discurso político que transforma crises em "oportunidades de ajuste".

Seu legado é a constatação de que o cinismo como método de sobrevivência e sucesso – a arte de nomear as coisas não pelo que são, mas pelo que é conveniente – permanece uma característica reconhecível no cotidiano brasileiro.

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