Empresário Oscar Maroni morre aos 74 anos após luta contra Alzheimer
Figura polêmica da noite paulistana, dono da casa Bahamas, deixa legado marcado pelo cinismo como método de atuação pública.
O empresário Oscar Maroni morreu neste sábado (31), aos 74 anos, em São Paulo, após enfrentar a doença de Alzheimer. Maroni era conhecido nacionalmente como dono da casa noturna Bahamas, um estabelecimento que frequentemente esteve no centro de polêmicas e debates sobre prostituição e entretenimento adulto.
Sua trajetória foi marcada por uma postura cínica e calculada, que ele mesmo admitia como estratégia de negócios e sobrevivência. A morte encerra a carreira de um personagem público que personificou um tipo específico de cinismo no Brasil, transitando entre a noite, a televisão e até a política.
O "método Maroni": cinismo como estratégia
Maroni sempre negou que o Bahamas fosse um prostíbulo, definindo-o como uma "casa de entretenimento adulto". Essa definição, segundo análises, não era sobre moralidade, mas sobre estratégia jurídica para driblar leis e manter o negócio funcionando.
Em entrevista ao apresentador Antônio Abujamra, o empresário foi direto: "Sou imoral, indecente, pornográfico, mas não sou ilegal". A tática funcionou: em 2017, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolveu Maroni de acusações de favorecimento à prostituição, permitindo a reabertura do Bahamas após anos interditado.
O caso do biquíni e a espetacularização na TV
O ápice da exposição de Maroni veio com o episódio do leilão do biquíni usado pela modelo Luma de Oliveira. Ele arrematou a peça por cerca de R$ 6 mil e recusou uma oferta de R$ 35 mil do então marido de Luma, o empresário Eike Batista, para reavê-la.
A disputa privada foi transformada em conteúdo de auditório, debatida ao vivo em vários programas de televisão. A mídia da época tratou a disputa pela posse de um objeto íntimo como curiosidade e entretenimento leve, normalizando o absurdo. Para Maroni, o que importava era o palco e a atenção, aplicando a mesma lógica de engenharia semântica usada no Bahamas.
Cinismo que migrou de cenário
Maroni tentou levar sua persona para a política, candidatando-se a vereador em São Paulo em 2008. Sua morte simboliza o fim de um tipo de personagem público que operava com cinismo explícito, mas especialistas apontam que a prática não desapareceu.
O mesmo cinismo assumido por Maroni migrou para espaços mais polidos. Hoje, se manifesta em eufemismos corporativos, em marketing que disfarça precariedade e no discurso político que transforma crises em "oportunidades de ajuste".
Seu legado é a constatação de que o cinismo como método de sobrevivência e sucesso – a arte de nomear as coisas não pelo que são, mas pelo que é conveniente – permanece uma característica reconhecível no cotidiano brasileiro.
Deixe seu Comentário
0 Comentários