A Enel São Paulo confirmou, nesta sexta-feira (6), que uma falha em um equipamento da rede subterrânea de energia foi a causa do apagão que atingiu a região central da capital paulista na terça-feira (03). O problema deixou cerca de 20 mil clientes sem fornecimento elétrico no pico da ocorrência, afetando bairros como Higienópolis, Consolação e Vila Buarque.
Segundo a concessionária, o equipamento, descrito como semelhante a um disjuntor, desligou-se automaticamente, interrompendo parte da rede que exige procedimentos técnicos especÃficos para identificação e correção de falhas. Equipes técnicas seguem no local para apurar a causa exata do desligamento e realizam reparos finais para a normalização completa do serviço.
Impacto e Atendimento
O apagão ocorreu por volta das 13h04 de terça-feira. No pico, a Enel registrou 36.854 imóveis sem energia em toda a cidade, o equivalente a 0,63% do total de clientes atendidos na capital. Para mitigar os efeitos, a empresa direcionou geradores para pontos considerados estratégicos durante os reparos.
Entre os locais afetados estiveram o Sesc Consolação, a sede do Senac São Paulo e o Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, todos na rua Dr. Vila Nova, na Vila Buarque. O Sesc informou que precisou fechar a unidade, enquanto o tribunal relatou uma interrupção de cerca de uma hora.
Às 20h do mesmo dia, a concessionária informou que a maioria dos consumidores já tinha o serviço restabelecido, restando aproximadamente 2,5 mil clientes em atendimento.
Contexto da Concessão
O incidente ocorre em um momento sensÃvel para a Enel. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisa a continuidade do contrato de concessão da empresa na região da Grande São Paulo, após sucessivas falhas no fornecimento registradas nos últimos dois anos.
Inicialmente, a Aneel havia aprovado a prorrogação da concessão por mais 30 anos. No entanto, o tema passou a ser reavaliado após pressão polÃtica e reclamações recorrentes da população. Tanto a prefeitura de São Paulo quanto o governo do estado já se manifestaram contrários à renovação do contrato nos moldes atuais.
A agência reguladora abriu um processo administrativo que avalia a possibilidade de caducidade (extinção) da concessão, colocando em xeque o futuro da empresa na principal região metropolitana do paÃs.