Quatro entusiastas de "vibe coding" da Malásia participaram do hackathon Gemini 3 da Google em Singapura em janeiro com um objetivo: construir um aplicativo funcional usando principalmente inteligência artificial para gerar o código. A equipe, composta por Chan Wei Khjan (contador), Chan Ler-Kuan (professor universitário de IA), Loh Wah Kiang (profissional de TI) e Lee How Siem, conhecido como Benny (CTO de uma startup), desenvolveu o protótipo de um app de feng shui em apenas sete horas.
O evento, organizado pelo Google DeepMind e pelo coletivo 65labs, desafiou 189 participantes a criarem 76 projetos. A premiação incluía um pool de 100.000 créditos na API Gemini, com o primeiro lugar recebendo 30.000 créditos. A equipe malasiana não ficou entre os vencedores, mas considerou a experiência valiosa.
Da ideia inicial ao "Feng Shui Banana"
A ideia original do grupo era um aplicativo para analisar propriedades em Singapura com base no feng shui, prática chinesa que avalia a influência do ambiente no bem-estar. Contudo, devido às restrições de tempo, eles pivotaram para um app que analisa, em tempo real via câmera do celular, as roupas e o espaço de trabalho do usuário para avaliar sua "sorte".
Wei Khjan liderou a parte de prompting, inserindo instruções no modelo Claude para gerar o fluxo de trabalho e o código. Ler-Kuan focou em garantir que a lógica de feng shui gerada pela IA estivesse correta, enquanto Wah Kiang e Benny revisavam o código e refinavam ideias. "Para pessoas que não sabem ler código, é útil ter quem saiba", disse Wei Khjan.
Prototipagem rápida e correção de bugs com IA
Após cerca de uma hora, o Claude gerou a base de código inicial, projetada para funcionar com a API Gemini Live para análise de imagem e texto em tempo real. O protótipo funcionava, mas estava cheio de erros. A equipe adotou um ciclo iterativo: copiavam as mensagens de erro de volta para a IA e pediam correções, um processo que resolveu problemas como uma falha na funcionalidade da câmera em minutos.
Ler-Kuan precisou corrigir manualmente um dicionário de dados subjacente quando a lógica de feng shui, especialmente na interseção entre análise de cores e dados de nascimento do usuário, se mostrou imprecisa. A equipe também usou prompts para refinar o app, solicitando explicações mais curtas, saídas mais claras e interfaces mais enxutas.
Testes, novos recursos e a pressão do prazo
Por volta do meio-dia, o aplicativo rudimentar, batizado de "Feng Shui Banana", já existia. Um avanço significativo veio quando Wei Khjan mudou sua abordagem de prompting: em vez de dar comandos, pediu à IA para "discutir isso comigo". A mudança fez o modelo raciocinar mais como um colaborador, resultando na implementação de uma análise por câmera em tempo real.
Em testes, o app identificou corretamente as peças de roupa de um observador — um polo verde escuro, um crachá amarelo e um cartão branco — e sugeriu que as cores já estavam alinhadas com sua sorte no dia, recomendando pequenos ajustes como acessórios adicionais. No período da tarde, a equipe adicionou uma funcionalidade para análise de espaços de trabalho e uma página de destino com visual animado e 3D.
Produção do vídeo e o toque humano final
Para o vídeo de demonstração obrigatório, a equipe usou o Gemini para gerar um storyboard e um rascunho do script. Eles filmaram os clipes e os editaram conforme avançavam. Com algum tempo sobrando, decidiram adicionar uma saída de áudio. Após várias tentativas com vozes robóticas, conseguiram uma que soava similar à de um mestre de feng shui chinês.
O slogan final do app, "Uma sabedoria, não uma superstição", foi uma decisão humana, não uma sugestão de IA. Com 15 minutos restantes para o prazo das 17h30, a equipe finalizou o vídeo e submeteu o projeto. "Às vezes, as melhores experiências vêm de dizer 'sim' sem pensar demais", refletiu Ler-Kuan após o evento. "A inovação começa com curiosidade e um pouco de espontaneidade."