Estudo interno do Meta revela que supervisão parental não reduz uso compulsivo de redes por jovens

Estudo interno do Meta revela que supervisão parental não reduz uso compulsivo de redes por jovens

Pesquisa "Project MYST", citada em julgamento, indica que controles dos pais têm impacto limitado no comportamento de adolescentes.

Redação
Redação

17 de fevereiro de 2026

Um estudo interno do Meta, denominado "Project MYST", concluiu que a supervisão e os controles parentais têm pouca influência no uso compulsivo de redes sociais por adolescentes. A pesquisa, desenvolvida em parceria com a Universidade de Chicago, foi revelada durante um julgamento por suposta dependência de redes sociais que começou na semana passada no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles.

O processo judicial tem como parte autora uma adolescente identificada pelas iniciais "KGM" ou pelo primeiro nome "Kaley". Ela, junto com sua mãe e outros que ingressaram na ação, acusa empresas de mídia social de criar produtos "viciantes e perigosos" que levaram os jovens usuários a sofrerem ansiedade, depressão, dismorfia corporal, distúrbios alimentares, automutilação e ideação suicida.

Detalhes da pesquisa revelada no tribunal

A pesquisa "Project MYST" – sigla para Meta and Youth Social Emotional Trends survey – foi baseada em um questionário com 1.000 adolescentes e seus pais. O estudo concluiu que "fatores parentais e domésticos têm pouca associação com os níveis relatados de atenção dos adolescentes ao uso de redes sociais".

Em outras palavras, mesmo quando os pais tentam controlar o uso das redes sociais por seus filhos, seja por meio de controles parentais ou apenas regras e supervisão doméstica, isso não impacta se a criança usará excessivamente ou de forma compulsiva as plataformas. Tanto os pais quanto os adolescentes concordaram nesta frente, segundo o estudo.

Processo judicial e alegações das partes

O advogado da autora, Mark Lanier, apresentou o estudo interno como evidência de que o Meta tinha conhecimento de danos específicos, mas não os divulgou. A ação judicial originalmente processava o Meta, YouTube, ByteDance (TikTok) e Snap, mas as duas últimas empresas chegaram a um acordo antes do início do julgamento.

Durante seu depoimento, o diretor do Instagram, Adam Mosseri, afirmou não estar familiarizado com o "Project MYST", embora um documento parecesse indicar que ele havia aprovado o prosseguimento do estudo. "Fazemos muitos projetos de pesquisa", disse Mosseri, após afirmar que não se lembrava de nada específico sobre o MYST além do nome.

Fatores de risco e terminologia da empresa

O estudo também descobriu que adolescentes com maior número de experiências adversas na vida – como lidar com pais alcoólatras, assédio na escola ou outros problemas – relataram menos atenção sobre seu uso de redes sociais. Isso significa que jovens que enfrentam traumas em suas vidas reais estavam mais em risco de uso problemático, argumentou o advogado.

No banco das testemunhas, Mosseri pareceu concordar parcialmente com essa descoberta, afirmando: "Há uma variedade de razões para que este seja o caso. Uma que ouço frequentemente é que as pessoas usam o Instagram como uma forma de escapar de uma realidade mais difícil". A Meta evita rotular qualquer uso excessivo como vício; em vez disso, Mosseri afirmou que a empresa usa o termo "uso problemático" para se referir a alguém "passando mais tempo no Instagram do que se sente bem".

Contexto legal e próximos passos

Os advogados da Meta, por sua vez, argumentaram que o estudo estava mais focado em entender se os adolescentes sentiam que estavam usando as redes sociais em excesso, e não se eram viciados. Eles também buscaram colocar mais responsabilidade nos pais e nas realidades da vida como catalisadores para os estados emocionais negativos de jovens como Kaley, e não nos produtos de mídia social das empresas.

Mosseri observou que as descobertas do MYST não foram publicadas publicamente e nenhum aviso foi emitido para adolescentes ou pais como resultado da pesquisa. O resultado do julgamento, que analisará estudos como este e os depoimentos de ambas as partes, ainda está por ser definido.

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