O presidente do Peru, Jose Jeri, foi destituído do cargo pelo Congresso Nacional nesta terça-feira (17), após apenas quatro meses no governo. A votação terminou com **75 votos a favor** da destituição, 24 contra e três abstenções. Jeri é o terceiro presidente consecutivo do país a ser removido do poder.
O processo de impeachment foi motivado por acusações de que Jeri esteve envolvido em um escândalo de **reuniões não divulgadas** com um empresário chinês. As reuniões não eram agendadas oficialmente, e o presidente chegou a ser flagrado chegando **encapuzado** em uma delas. Além disso, o mandatário é investigado por supostas contratações irregulares durante seu curto governo.
Linha sucessória recusada e nova eleição no Congresso
Constitucionalmente, o atual presidente do Congresso, **Fernando Rospigliosi**, era o próximo na linha de sucessão para assumir a Presidência da República. No entanto, Rospigliosi **recusou publicamente** assumir o cargo, criando um novo impasse político.
Diante da recusa, o Congresso Nacional deve se reunir nesta quarta-feira (18) para eleger um novo presidente da casa legislativa. O parlamentar eleito assumirá automaticamente a **Presidência do Peru**, conforme estabelece a ordem constitucional do país.
Contexto de instabilidade política
A destituição de Jose Jeri insere-se em um cenário de **profunda instabilidade política** no Peru. Nos últimos anos, o país vivenciou uma sucessão de crises, protestos sociais e rápidas trocas no comando do Executivo. A remoção de três presidentes consecutivos pelo Legislativo reflete as tensões crônicas entre os poderes no país.
Especialistas em política latino-americana apontam que a frequente intervenção do Congresso, usando mecanismos como a vacância presidencial, tem gerado debates sobre a **governabilidade democrática** e a necessidade de reformas no sistema político peruano.