Lauren Crosby Medlicott, 35, e sua irmã mais nova, Hannah, passaram a infância e adolescência vivendo "vidas paralelas", compartilhando um quarto mas mantendo personalidades diametralmente opostas. A autora, que hoje mora no PaÃs de Gales, descreve como apenas na idade adulta, especialmente após os 30 anos, as duas descobriram a profundidade única do vÃnculo fraternal.
A relação, que nunca se assemelhou à intimidade das irmãs Bennet de "Orgulho e PrejuÃzo" – série que ambas assistiam na adolescência – transformou-se através da consistência e do apoio mútuo durante crises pessoais. Hannah mudou-se para Londres há três anos, permitindo encontros presenciais quatro a cinco vezes anualmente.
Infância e Juventude: Paralelos que Não Se Tocavam
Com diferença de menos de dois anos de idade, as irmãs tinham rotinas e temperamentos contrastantes. Lauren acordava cedo, era sociável e meticulosamente organizada, enquanto Hannah preferia acordar tarde, tinha poucos amigos Ãntimos e era "descaradamente bagunceira". O compartilhamento do quarto era fonte frequente de atritos, embora a capacidade de se irritarem mutuamente fosse um dos poucos pontos em comum.
Após o ensino médio, o distanciamento fÃsico se intensificou. Lauren mudou-se para o Reino Unido para se casar com um galês e constituir famÃlia, enquanto Hannah permaneceu nos Estados Unidos para a faculdade. O contato limitava-se a mensagens esporádicas e encontros breves em feriados familiares.
A Virada na Vida Adulta e o Papel das Crises
O isolamento inicial no PaÃs de Gales e o surgimento das redes sociais fizeram Lauren questionar a natureza do seu relacionamento com a irmã. Ela observava "amigas inseparáveis" em plataformas como Facebook e sentia a falta de uma amizade feminina profunda, desejando que Hannah preenchesse esse vazio.
A virada ocorreu na década dos 30 anos de Lauren, marcada por "eventos significativos que quase a quebraram". Foi quando Hannah se tornou uma presença constante: enviando mensagens regulares, fazendo visitas e, crucialmente, ouvindo choros ao telefone. "Ela aparece, de novo e de novo", escreve Lauren.
Redefinindo o Significado de Irmandade
Hoje, Lauren reconhece que sua irmã é a amizade feminina mais próxima que possui. A relação não se baseia em conversas intermináveis até altas horas ou em compartilhar todos os momentos, mas em um conhecimento histórico completo e um compromisso inabalável.
"Ninguém mais a conhece como eu conheço, e ninguém me conhece como ela me conhece", afirma. Lauren confiaria a Hannah, acima de qualquer outra pessoa, os cuidados de seus três filhos caso algo acontecesse a ela e ao marido. A irmã demonstra interesse ativo na vida dos sobrinhos, um apoio vital considerando a famÃlia reduzida no Reino Unido.
Lauren conclui que a irmandade não é um conceito único. "Cada um de nossos laços fraternos é único e não precisa se parecer com os outros". Aceitar isso permitiu que ela valorizasse plenamente a "relação eterna" que tem com Hannah. Elas continuam vivendo vidas paralelas, mas com a certeza de que "nenhuma de nós vai a lugar nenhum. Irmãs para sempre".