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O Exército dos Estados Unidos inaugurou um novo curso de treinamento que ensina soldados a dominar a guerra com drones, mas com um foco crucial: entender que eles nem sempre são a arma certa para a missão. O "Unmanned Advanced Lethality Course" (Curso Avançado de Letalidade Não Tripulada) é realizado em Fort Rucker, no Alabama, e dura três semanas.

O objetivo do programa é equipar o exército americano com conhecimentos táticos para operar e ser letal com pequenos drones, tentando alcançar o domínio que adversários em potencial já demonstraram. Durante o treinamento, os militares aprendem a pilotar, atacar e reparar rapidamente os equipamentos com impressão 3D.

Drones como ferramenta, não como solução única

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A major Rachel Martin, diretora do curso, explicou à Business Insider que é fundamental os soldados compreenderem que o drone "é uma ferramenta para realizar uma missão, mas pode não ser a ferramenta dada um determinado conjunto de missões". Ela enfatizou que seu uso "deve ser algo que você planeja, e não deve ser uma tática reacionária".

Nos exercícios, os alunos são ensinados que, "em última análise, os drones são uma ferramenta, mas há outras ferramentas disponíveis para eles", como metralhadoras calibre .50 e armas antitanque AT4. A escolha da arma certa faz parte do treinamento.

Guerra na Ucrânia como catalisador

A invasão da Ucrânia pela Rússia e outros conflitos atuais impulsionaram a criação do curso, ao demonstrar o poder transformador dos pequenos drones no campo de batalha. "Os olhos do mundo estão na guerra russo-ucraniana e nas táticas e equipamentos que estão sendo utilizados nesse tipo de guerra. E na América, esse não é um estilo de guerra ao qual estamos acostumados", afirmou Martin.

Dados da guerra mostram que drones são responsáveis por mais de 80% dos acertos no campo de batalha contra a Rússia, sendo frequentemente usados para ataques de precisão no lugar da artilharia. Eles também remodelaram funções, assumindo tarefas de reconhecimento que antes exigiam batedores.

Contexto ucraniano versus capacidades ocidentais

Martin, que já comandou uma companhia de drones Gray Eagle, destacou que a Ucrânia recorreu massivamente aos drones por necessidade, devido à falta de fábricas para produzir munição de artilharia suficiente e às restrições no uso de armas fornecidas por aliados. "Eles estão em uma luta por suas vidas e estão usando o que têm disponível porque não têm aqueles ativos em camadas que temos a sorte de ter em nosso país", disse.

Ela ponderou que o conflito poderia ter sido muito diferente se a Ucrânia tivesse o mesmo complexo industrial militar dos EUA. Especialistas, como Justin Bronk do Royal United Services Institute do Reino Unido, alertam que seria um erro forças ocidentais bem provisionadas substituírem seu poder de fogo tradicional por capacidades baratas de drones, pois isso jogaria com os pontos fortes da Rússia.

Investimento e expansão do treinamento

O Exército dos EUA está investindo pesadamente em guerra de drones, com planos de comprar um milhão de veículos aéreos não tripulados nos próximos dois a três anos. O curso inaugural, em agosto, teve 28 alunos de várias áreas do exército, incluindo infantaria, batedores de cavalaria e especialistas em drones.

A instrução deve evoluir para incluir táticas mais avançadas e cenários complexos, com o objetivo de que os graduados levem expertise para suas unidades e se tornem instrutores. Martin citou a "Operação Teia de Aranha" da Ucrânia – um ataque com mais de 100 drones a bases aéreas russas – como uma experiência que abriu os olhos do mundo para o custo-benefício estratégico dessa tecnologia.