A audiência que decidiria a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil foi suspensa nesta terça-feira (20), em Roma. A interrupção ocorreu após a defesa da ex-parlamentar pedir a mudança do colegiado de juízes da Corte de Apelação responsável pelo caso, alegando falta de imparcialidade.
O pedido paralisa a análise do mérito e adia, mais uma vez, o desfecho do processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro. Os advogados têm agora um prazo de três dias para formalizar a solicitação de suspeição dos magistrados.
Quarto adiamento do processo
Esta é a quarta vez que a Corte de Apelação italiana se reúne sem chegar a uma decisão sobre o pedido de extradição. Diferentemente das suspensões anteriores, que foram por razões procedimentais, o impasse desta terça decorre exclusivamente de uma iniciativa da defesa.
O adiamento imediatamente anterior ocorreu em 18 de dezembro, quando os magistrados afirmaram ter recebido apenas na véspera documentos enviados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das ações no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mecanismo legal italiano interrompe julgamento
Ao questionar a imparcialidade do colegiado, os advogados acionaram um mecanismo previsto na legislação italiana. A regra obriga a Corte a interromper o julgamento até que o pedido de suspeição seja analisado.
Somente após a formalização e eventual rejeição da solicitação é que o processo pode voltar à pauta, seja com o mesmo colegiado, seja com outro. Até lá, a tramitação da extradição fica paralisada e sem nova data para julgamento.
Condenações no Brasil e prisão na Itália
Zambelli foi condenada pelo STF em dois processos. No principal, recebeu pena de 10 anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), episódio que envolveu a inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão fraudulento.
Em outra ação, foi sentenciada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. A ex-parlamentar está presa em Roma desde 29 de julho de 2025, após deixar o Brasil e ter o nome incluído em alerta internacional.
Contexto político e próximos passos
O pedido formal de extradição foi enviado pelo Ministério da Justiça brasileiro ao Ministério do Interior da Itália em 12 de junho de 2025. No plano político, Zambelli renunciou ao mandato em dezembro, depois que o STF determinou a perda imediata do cargo e fixou prazo de 48 horas para a posse do suplente.
O novo adiamento não encerra o processo, mas retarda novamente a decisão final sobre a extradição da ex-deputada para cumprir as penas no Brasil.