O Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o que representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Em comparação com 2015, quando foram contabilizadas 535 vítimas, o crescimento do crime em dez anos chega a 175%.
Ao todo, 13.448 mulheres foram mortas pelo fato de serem mulheres na última década, uma média anual de 1.345 crimes. O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 233 casos registrados apenas em 2025, seguido por Minas Gerais (139), Rio de Janeiro (104) e Bahia (103).
Casos recentes ilustram a violência
Na última segunda-feira (19), o corpo de Thais Mendes da Silva, de 24 anos, foi encontrado no município de Curvelo, em Minas Gerais. A jovem estava desaparecida desde 13 de janeiro. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu o ex-marido da vítima, Carlos Daniel Moreira Campos, também de 24 anos, acusado de matar e ocultar o cadáver da companheira.
Os casos não se restringem a relacionamentos amorosos. Na semana passada, um homem foi preso em flagrante pela Polícia Militar do Ceará (PMCE) após arremessar a própria mãe da janela de um apartamento em Fortaleza. Ele foi acusado de tentativa de feminicídio.
Contexto e definição legal
Feminicídio é o homicídio cometido contra uma mulher por razões da condição de sexo feminino, ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo/ discriminação à condição de mulher. A lei que tipificou o crime (Lei 13.104/2015) completou nove anos em 2024.
Os dados do MJSP consolidam informações dos sistemas de segurança pública estaduais e são considerados a principal referência oficial sobre a violência letal contra mulheres no país.
Panorama futuro e respostas
Especialistas em segurança pública e direitos das mulheres apontam que, apesar da criação da lei específica, a subnotificação e a lentidão da Justiça ainda são desafios. O governo federal anunciou, no final de 2025, a ampliação do orçamento para a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, que inclui a manutenção da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) e o fortalecimento das delegacias especializadas.
A tendência de alta nos números, no entanto, indica que as políticas públicas atuais ainda são insuficientes para reverter a escalada da violência de gênero no Brasil, conforme análise de organizações da sociedade civil que monitoram o tema.