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Dois foragidos acusados de envolvimento no assassinato do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) Antonio Vinicius Lopes Gritzbach serão incluídos na lista de Difusão Vermelha da Interpol (Polícia Internacional). A decisão judicial foi tomada após a Polícia Federal (PF) esgotar as buscas por Emilio Carlos Gongorra Castilho, 45 anos, o "Cigarreira", e Kauê do Amaral Coelho, 31 anos, o "Jubileu", em território nacional.

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo acatou o pedido da PF, destacando a gravidade do crime e a alta periculosidade dos réus. Com a inclusão na lista, qualquer país membro da Interpol pode prender os foragidos para fins de extradição. Os acusados também constam na Lista de Pessoas Mais Procuradas do Brasil, mantida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Crime foi retaliação à delação premiada

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Gritzbach, corretor de imóveis do mercado de luxo, foi executado a tiros na tarde de 8 de novembro de 2024, na área de desembarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A investigação aponta que o crime foi uma retaliação direta à sua colaboração com a Justiça, onde atuou como delator em investigações contra o PCC, detalhando esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo agentes do Estado.

Segundo o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, Emilio Castilho foi o mandante do assassinato. Kauê Coelho atuou como olheiro, observando a vítima e passando informações aos atiradores. O crime contou com a participação de pelo menos outros quatro cúmplices, que também foram denunciados.

Investigação reconstruiu execução meticulosa

O ataque foi calculado para produzir choque público. Dois atiradores com fuzis calibres 7,62 e .556 aguardavam Gritzbach ao desembarcar de um voo vindo de Maceió. Além do delator, um motorista de aplicativo foi morto e outras pessoas ficaram feridas, o que acrescentou a qualificadora de perigo comum aos autos.

A investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) combinou imagens de segurança, dados telemáticos e perícia. Um Gol preto usado na fuga foi abandonado a poucos quilômetros do aeroporto, com armas e roupas no interior, permitindo a coleta de material genético.

Policiais militares estão entre os presos

As quebras de sigilo telefônico e análises digitais levaram à identificação de três policiais militares como participantes diretos: Ruan Silva Rodrigues (atirador principal), Denis Antonio Martins (segundo atirador) e o tenente Fernando Genauro da Silva (motorista e articulador). Todos estão presos e são réus no processo.

Um laudo de DNA encontrou perfil totalmente compatível com o de Ruan Silva Rodrigues na maçaneta interna do carro usado no crime, vinculando fisicamente um dos executores ao veículo. A análise de dados móveis também colocou o celular de Ruan na região do Terminal de Ônibus Cecap logo após a execução.

Foragido usava identidades falsas

Um dos fatores que motivou o pedido de cooperação internacional foi a capacidade de Emilio Castilho de se manter foragido. Ele utilizava pelo menos duas identidades falsas, em nome de João Bortolato Fallopa e João Luiz da Cunha, fato confirmado pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD). Um mandado de prisão preventiva contra ele havia sido expedido em março de 2025.

Os acusados respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de arma de fogo de uso restrito e concurso de pessoas. A pena máxima prevista é de 30 anos de reclusão.