Publicidade

A formação dos oceanos, processo que começou há cerca de 4,6 bilhões de anos, está diretamente ligada à origem e ao resfriamento do planeta Terra. Segundo o geógrafo marinho Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a água se condensou da atmosfera primitiva e preencheu as depressões da crosta, enquanto a interação com rochas levou à salinização. A dinâmica das placas tectônicas continua criando e reorganizando essas bacias oceânicas até hoje.

Bulhões destaca que a origem da água nos mares é uma combinação de fatores. "Parte da água já estava presente no material que formou o planeta, no processo chamado 'acreção planetária'", afirma o especialista, acrescentando que impactos de cometas com gelo e asteroides também foram importantes.

O papel das placas tectônicas

Publicidade

A movimentação das placas tectônicas é fundamental para a existência e transformação dos oceanos. Elas funcionam como uma "esteira" do planeta, explica Bulhões. Quando as placas se afastam, formam-se as dorsais médio-oceânicas, grandes cadeias montanhosas submarinas que criam novo assoalho oceânico.

Já o processo de convergência, onde uma placa afunda sob outra em zonas de subducção, pode levar ao fechamento de oceanos ao longo de milhões de anos. "Esse processo pode levar ao fechamento de oceanos ao longo de milhões de anos", detalha o geógrafo.

Oceanos, mares e a diferença para lagos

Do ponto de vista geológico, o oceano é a grande massa de água salgada que preenche as maiores depressões da Terra. Bulhões ressalta que a divisão em oceanos Pacífico, Atlântico, Índico, Sul e Ártico, e em mares como subdivisões, é uma forma prática de organizar um sistema único.

Os mares possuem características variadas de salinidade e tamanho, podendo ser classificados como fechados, abertos ou interiores. Já os lagos e grandes corpos d'água continentais se formam em bacias dentro dos continentes por processos tectônicos, glaciais ou vulcânicos, não dependendo da dinâmica oceânica.

Um sistema em constante transformação

O oceano é um ambiente de mudança contínua. "O oceano está em constante mudança, com diferentes processos geológicos ocorrendo em 'camadas' simultaneamente", afirma Eduardo Bulhões. Além das correntes e ondas superficiais, processos geológicos como terremotos e vulcanismo remodelam constantemente os limites das placas.

O especialista finaliza ressaltando que, apesar dos avanços, o fundo marinho ainda é pouco explorado. A expansão das pesquisas é essencial para entender melhor a interação do oceano com as mudanças ambientais e climáticas.