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O Fórum Econômico Mundial de Davos 2026, encerrado nesta semana, foi marcado por um tom de sobriedade em relação aos ganhos imediatos da inteligência artificial e pela presença dominante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Líderes empresariais e políticos discutiram os desafios para obter retorno sobre investimentos em IA e as implicações das ações de Trump para a geopolítica global.

Diferente do otimismo de anos anteriores, as conversas no evento giraram em torno da frustração com os resultados "medíocres" obtidos até agora com a IA e da complexidade das mudanças necessárias nas grandes empresas para corrigir o problema. Paralelamente, a participação de Trump, convidado pessoalmente pelo presidente interino do Fórum, Larry Fink, atraiu outras grandes personalidades, como Elon Musk, e centrou debates de alto risco sobre o futuro da OTAN, da Groenlândia e de Gaza.

IA: Expectativas rebaixadas e futuro do trabalho

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Segundo a jornalista Aki Ito, do Business Insider, a transição para ganhos reais de produtividade com a IA tem sido mais lenta e difícil do que o esperado. "A maioria das minhas conversas foram sobre por que o ROI da IA tem sido tão medíocre até agora, e como consertar isso", relatou. As soluções discutidas envolvem reformas massivas que devem levar anos para serem implementadas pelas grandes corporações.

Essa perspectiva mais realista, no entanto, pode ser positiva para os trabalhadores de colarinho branco, que terão mais tempo para se adaptar. "Quando a disrupção vem na velocidade da luz, as pessoas não têm tempo para se preparar", analisou Ito.

Kim Last, também do Business Insider, destacou a falta de respostas claras dos executivos sobre o futuro do emprego para a próxima geração. Houve reconhecimento de que a IA já está remodelando a natureza do trabalho de entrada em escritórios, mas pouca profundidade nas discussões sobre como a educação ou a preparação para o emprego precisam evoluir. "Várias vezes esta semana me perguntei como será o futuro dos gerentes médios daqui a 10 anos", disse Last.

Geopolítica e a "Era Trump" em debate

A presença do presidente americano Donald Trump deu um peso geopolítico incomum ao evento, segundo o repórter Ben Bergman. "Davos sempre quis ser o centro do mundo. Este ano, pareceu que realmente era", afirmou. Trump trouxe não apenas congestionamentos e linhas de segurança mais longas, mas também dominou as conversas com negociações de alto risco.

A comunidade internacional presente em Davos se dividiu na interpretação das táticas agressivas de Trump. Dan DeFrancesco relatou que alguns participantes viam otimismo no fechamento de acordos, enquanto outros acreditavam que uma confiança fundamental foi quebrada, sem um caminho fácil para a reconciliação completa. A divisão de opiniões não seguiu linhas geográficas óbvias, com dois banqueiros da mesma empresa, um americano e um europeu, tendo visões opostas sobre o assunto.

O avanço da "IA Física" e os robôs humanoides

Um tema que ganhou destaque entre os entusiastas de tecnologia foi o conceito de "IA Física", relacionado a robôs e máquinas inteligentes que podem aprender e se adaptar, e não apenas seguir comandos. A jornalista Jamie Heller participou de três painéis sobre o assunto e observou "clara empolgação real, inclusive de tipos científicos experientes".

O interesse pelo tema ganhou contornos concretos com o relato exclusivo da Business Insider sobre os planos da OpenAI para entrar no campo da robótica humanóide – robôs modelados após humanos. A ambição de transformar ficção científica em "fato científico", como expressado por Elon Musk em Davos, parece compartilhada por muitos no setor.

O Fórum de Davos 2026 deixou a sensação de que, tanto na tecnologia quanto na geopolítica, os líderes globais estão navegando em um período de transição complexa e imprevisível. A atuação do presidente Trump continuará a ser um foco de análise, enquanto a indústria busca formas concretas de materializar as promessas da inteligência artificial. O próximo encontro, em 2027, terá a tarefa de acompanhar a evolução desses cenários.