Uma nova espécie de dinossauro gigante foi identificada a partir de fósseis que estavam guardados em coleções de museu por mais de um século. O Ahshislesaurus wimani, um herbívoro do grupo dos hadrossauros, viveu há cerca de 75 milhões de anos na região que hoje é o estado do Novo México, nos Estados Unidos.
A descoberta foi publicada no Bulletin of the New Mexico Museum of Natural History and Science e liderada pelo paleontólogo Steven Jasinski. Os ossos foram originalmente coletados entre 1916 e o início do século 20 no sítio fossilífero de Ah-Shi-Sle-Pah, mas foram erroneamente atribuídos a espécies já conhecidas até a reavaliação recente.
Revisão técnica revela anatomia única
Ao aplicar técnicas modernas de análise, os pesquisadores identificaram características anatômicas distintas em fragmentos de crânio, mandíbula e vértebras. Essas características não se encaixavam em nenhum táxon descrito anteriormente, confirmando tratar-se de uma espécie inédita para a ciência.
O estudo estima que o animal atingia entre 10 e 12 metros de comprimento e pesava mais de oito toneladas. A estrutura de sua mandíbula sugere um sistema de mastigação altamente eficiente, adaptado para uma dieta baseada em grande volume de plantas.
Comportamento gregário e ecossistema antigo
A repetição de fósseis semelhantes na mesma formação geológica indica que o Ahshislesaurus provavelmente vivia em grupos. Naquele período do Cretáceo tardio, esse grande herbívoro compartilhava o ecossistema com predadores, crocodilianos, pterossauros e os primeiros mamíferos.
A descoberta ajuda a preencher lacunas no entendimento da diversidade dos hadrossauros e das conexões biogeográficas da América do Norte pouco antes da extinção em massa que eliminou os dinossauros não avianos.
O valor científico das coleções históricas
O caso reforça a importância das coleções museológicas para a paleontologia. Materiais coletados e estudados há décadas podem revelar novas informações quando revisitados com conhecimento e tecnologia atualizados.
"Cada osso reanalisado amplia o conhecimento sobre a evolução dos grandes herbívoros", destacam os pesquisadores. A descoberta demonstra que o passado ainda pode ser reinterpretado, mesmo quando está guardado, silenciosamente, dentro de uma gaveta de museu.