Christina Puder, uma fundadora solo de 35 anos baseada em Madri, está utilizando ferramentas de inteligência artificial (IA) com custo mensal de US$ 20 (cerca de R$ 100) para operar seu negócio de coaching de carreira, dispensando a contratação de funcionários em tempo integral. A empreendedora, que migrou seu trabalho paralelo para atividade principal em 2025, adotou a IA inicialmente para construir seu site e depois expandiu o uso para automações internas que reduziram drasticamente o tempo de tarefas operacionais.
Sem financiamento externo ou formação técnica, Puder descobriu o potencial da IA após tentativas frustradas com construtores de sites tradicionais e contratações de designers e engenheiros em meio período. "Às vezes, usar IA parece que estou trabalhando com a pessoa mais burra que já conheci, mas a palavra 'limitação' raramente entra na minha mente quando penso em como a IA está permitindo que eu administre meu negócio", afirmou ela em entrevista ao Business Insider.
Da construção do site à automação de processos
O ponto de virada ocorreu quando Puder testou a plataforma Lovable, um assistente de codificação por IA. Com créditos gratuitos iniciais, ela viu a ferramenta construir uma página de destino completa rapidamente. "Comecei a adicionar informações simples sobre o design do site e, de repente, a plataforma de IA construiu toda a página de destino. Essa foi minha porta de entrada para todas as coisas que a IA pode fazer", relatou.
Atualmente com uma assinatura paga de US$ 20 mensais que fornece 100 créditos – além de cinco créditos diários gratuitos que não acumulam –, Puder trata as ferramentas de IA como colaboradores. "É o mesmo que se eu contratasse alguém em tempo integral: gostaria que eles entregassem alto rendimento todos os dias", explicou. Ela desenvolveu um método para priorizar solicitações com base nos créditos disponíveis, pedindo à IA para ranquear áreas do código que mais se beneficiariam de refatoração.
Ganho de escala e limitações práticas
Uma das automações mais impactantes foi no serviço de busca e aplicação a vagas para clientes. O processo manual, que consumia aproximadamente 60 minutos diários por cliente, foi reduzido para um minuto após a implementação de sistemas movidos por IA. "Recuperar 60 minutos por dia para cada um dos meus clientes tem sido um desbloqueio de escala massivo. Eu realmente não achava que era possível", confessou Puder.
Apesar dos avanços, a fundadora ainda enfrenta limitações técnicas ocasionais. Em alguns casos, bugs persistentes consumiram até 40 créditos em tentativas de correção, levando-a a solicitar à IA que removesse completamente um recurso problemático para recomeçar do zero. Em situações específicas, como ajustes de tamanho de logotipos no site, ela precisou recorrer novamente ao engenheiro de meio período para correções pontuais, pagando por serviços específicos.
O contexto do fenômeno "Tiny Teams"
A experiência de Christina Puder se insere no fenômeno emergente de "Tiny Teams" (Equipes Minúsculas), onde empreendedores individuais ou pequenos grupos utilizam agentes e bots de IA para operar negócios com pouca ou nenhuma mão de obra humana contratada. O Business Insider está documentando casos como o dela para entender os ganhos, medos e habilidades humanas que se destacam nessa nova era de operações empresariais.
Antes de adotar a IA para operações comerciais, Puder era uma usuária casual do ChatGPT para auxílio em ideias, redação e pesquisa. A transição para o uso estratégico ocorreu apenas após a experiência bem-sucedida com a construção do site, revelando o potencial da inteligência artificial como habilitadora de negócios mesmo para profissionais sem formação técnica.