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O odor característico das baratas, descrito como forte e rançoso, é percebido de forma diferente pelas pessoas, com algumas sendo completamente incapazes de senti-lo. A bióloga Amanda Scardini explica que essa variação na percepção olfativa é influenciada por uma combinação de fatores genéticos e condições fisiológicas individuais.

O fenômeno ocorre porque o "cheiro de barata" é uma mistura de compostos químicos, incluindo a trimetilamina (TMA). A capacidade de detectar essa substância específica depende da presença e atividade de um gene responsável pelo quimioreceptor correspondente. Mutações nessa região do genoma podem impedir a percepção do odor.

Compostos químicos e função biológica

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Segundo a especialista, o odor é gerado por aldeídos, cetonas e ácidos graxos liberados por glândulas no corpo do inseto. "Esse cheiro pode se intensificar quando há muitas baratas no ambiente ou quando elas deixam fezes, exúvias (restos de muda) e secreções acumuladas em locais fechados", afirma Amanda Scardini.

A bióloga esclarece que a liberação dessas substâncias não tem como objetivo incomodar humanos. Parte dos compostos atua como feromônios, facilitando a comunicação, agregação e reprodução entre os insetos. Outras substâncias funcionam como mecanismos de defesa para afastar predadores.

Fatores que alteram a percepção

Além da genética, a percepção do cheiro pode ser alterada por diversos fatores. "Fatores ambientais e fisiológicos também contam, como exposição frequente ao odor (que pode levar à dessensibilização), hábitos como fumar, presença de alergias respiratórias, sinusite ou até infecções nasais", pontua a bióloga.

Isso significa que mesmo pessoas com o gene ativo para detectar a TMA podem ter sua sensibilidade reduzida devido a essas condições, enquanto outras podem ser naturalmente mais sensíveis a determinados compostos químicos da mistura.

Controle do odor e das infestações

Para evitar tanto o odor quanto as infestações, a especialista recomenda ações de controle ambiental, como manter a limpeza, vedar frestas e armazenar alimentos de forma adequada. Em casos de infestação estabelecida, a orientação é procurar ajuda profissional, evitando o uso excessivo de inseticidas, que podem ser ineficazes e prejudiciais à saúde.

Amanda Scardini destaca que, uma vez controlada a infestação, o odor característico tende a desaparecer naturalmente do ambiente, já que sua fonte principal – os insetos e seus resíduos – é eliminada.