A Google anunciou nesta quarta-feira (data da referência) o lançamento de simulados gratuitos e sob demanda para o exame SAT (Scholastic Assessment Test) através de seu assistente de IA, o Gemini. O conteúdo dos testes foi validado em parceria com a The Princeton Review, uma das principais empresas de preparação para vestibulares dos EUA, enquanto o feedback personalizado é gerado pela inteligência artificial da Google.
A iniciativa representa um novo e significativo desafio para a indústria de tutoria particular, um nicho lucrativo que prepara estudantes para o ingresso no ensino superior. A empresa sinalizou que planeja expandir a oferta para outros exames padronizados no futuro.
Impacto direto no mercado de preparação
O setor de tutoria para o SAT é conhecido por seus altos custos. Em 2023, um tutor entrevistado pelo Business Insider cobrava entre US$ 135 e US$ 155 por hora, enquanto um especialista em redação chegava a faturar US$ 200 mil em nove meses de trabalho. A oferta de uma alternativa gratuita e disponível 24 horas por dia pressiona diretamente esse modelo de negócio.
Não é a primeira vez que a tecnologia impacta o setor. PDFs de testes antigos circulam há anos na internet, e plataformas como Quizlet e Chegg facilitaram o compartilhamento de materiais de estudo entre estudantes. No entanto, a ascensão da IA representa uma ameaça qualitativamente diferente, com capacidade de oferecer explicações personalizadas em tempo real.
Reação do setor educacional à IA
A indústria ainda está se adaptando à disrupção causada pela inteligência artificial. Em 2023, as ações da Chegg despencaram 49% em um único dia após a empresa admitir que estudantes estavam migrando para o ChatGPT. Dois anos depois, a companhia demitiu 388 funcionários, ou 45% de sua força de trabalho, citando as "novas realidades da IA".
Alguns líderes do setor enxergam a tecnologia como uma oportunidade. Sal Khan, fundador da Khan Academy, declarou em 2023 que a IA poderia ser "a maior transformação positiva que a educação já viu", com o potencial de fornecer um "tutor pessoal artificialmente inteligente, mas incrível" para cada aluno.
O novo campo de batalha das Big Tech
A educação emergiu como um território estratégico para as empresas de IA. Em abril, a Anthropic lançou o "Claude for Education", com programas para estudantes. A xAI, de Elon Musk, criou a "Grokipedia", uma base de conhecimento. Em julho, a OpenAI introduziu seu "Modo de Estudo", levando analistas a declararem a educação um "novo campo de batalha na guerra da IA".
Em sua carta sobre o futuro da IA em 2023, Bill Gates dedicou espaço considerável ao tema, prevendo que a tecnologia "amplificaria, mas nunca substituiria, o trabalho que alunos e professores fazem juntos em sala de aula".
Funcionamento e próximos passos
Segundo Carol Walport, da Google DeepMind, os estudantes podem pedir ao Gemini para "explicar a resposta correta" para qualquer questão não compreendida, ajudando a "identificar lacunas de conhecimento específicas". A ferramenta está disponível diretamente no aplicativo Gemini.
Para famílias e estudantes que se preparam para a temporada de exames do SAT, a nova ferramenta da Google se apresenta como a mais recente e acessível concorrente aos tutores humanos, potencialmente democratizando o acesso a um preparo de qualidade, mas também reconfigurando um mercado tradicional.