O governador da Califórnia, Gavin Newsom, usou sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta semana para um confronto direto com o ex-presidente Donald Trump perante a elite global de negócios. O embate, que incluiu críticas públicas e a exibição de um objeto simbólico, escalou para um atrito institucional quando Newsom foi impedido de entrar no pavilhão oficial dos Estados Unidos no evento.
A visita de Newsom a Davos foi explicitamente planejada como um contraponto à agenda econômica de Trump. Seu escritório afirmou, antes da viagem, que o objetivo era defender o "capitalismo democrático" e posicionar a Califórnia como uma alternativa ao que chamou de "capitalismo de compadrio" do ex-presidente.
Críticas mútuas e tensão crescente
Após o discurso de Trump na quarta-feira (15), Newsom, que assistia à apresentação, criticou o tom do ex-presidente. Falando a repórteres, incluindo o correspondente do Business Insider Ben Bergman, Newsom afirmou que a reação da plateia foi contida porque Trump "falou de cima para baixo" com as pessoas. "Se não houvesse celulares, acho que algumas pessoas teriam desmaiado de tédio", disse o governador.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, rebateu as declarações, classificando Newsom como um "governador de terceira categoria" em comentários ao Business Insider. Ela questionou por que ele estava "passeando pela Suíça em vez de consertar os muitos problemas que criou na Califórnia".
Barrado no pavilhão americano
As tensões atingiram um novo patamar horas depois, quando Newsom foi negado o acesso ao USA House, o pavilhão oficial dos EUA em Davos, onde participaria de uma conversa informal ("fireside chat") hospedada pela revista Fortune. O escritório do governador afirmou que o convite foi rescindido em cima da hora devido a pressões da Casa Branca e do Departamento de Estado.
Newsom denunciou a medida na rede social X, chamando-a de "fraca e patética". Seu escritório destacou que vários funcionários da administração Trump, incluindo o secretário do Tesouro Scott Bessent, haviam falado no mesmo pavilhão mais cedo naquele dia.
Feudo pessoal e símbolo de protesto
Bessent respondeu às críticas sem rodeios, chamando publicamente Newsom de "analfabeto econômico", "presunçoso" e "muito egocêntrico". O governador, por sua vez, garantiu seu momento de maior impacto na quinta-feira (16), durante uma entrevista no palco com Ben Smith, da Semafor.
Na ocasião, Newsom afirmou que os EUA não são mais governados pelo Estado de Direito, mas pelo que chamou de "Regra do Don", acusando o Congresso, universidades, escritórios de advocacia e líderes corporativos de se curvarem ao ex-presidente. Para ilustrar o ponto, ele apresentou joelheiras vermelhas brilhantes – um adereço destinado a simbolizar a capitulação corporativa –, gesto que rendeu aplausos da plateia.
Repercussão política e especulações futuras
Trump, em seus próprios comentários em Davos, reconheceu a presença de Newsom. "Vamos ajudar o povo da Califórnia", disse o ex-presidente. "Queremos não ter crime. Sei que o Gavin estava aqui. Eu costumava me dar tão bem com o Gavin quando era presidente. Gavin é um bom cara." O governador, posteriormente, declinou de um convite para retornar ao USA House para uma recepção privada.
Especialistas políticos consultados pelo Business Insider avaliam que o retorno de Newsom a Davos sinaliza ambições além da Califórnia. Sua decisão de confrontar Trump diante de líderes empresariais e políticos globais reacendeu especulações de que ele estaria preparando o terreno para uma potencial candidatura presidencial em 2028.