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A jornalista norte-americana Laura Jedeed revelou falhas graves no processo de contratação do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Ela foi convocada para integrar a corporação mesmo sem ter concluído etapas obrigatórias do recrutamento e sendo uma crítica aberta da agência.

Segundo seu relato, publicado em sua coluna, Jedeed omitiu sua carreira como jornalista no currículo, incluindo apenas sua experiência no Exército dos Estados Unidos, onde serviu após o Ensino Médio e participou de missões no Afeganistão. A entrevista inicial durou menos de seis minutos e não houve checagem aprofundada de seu histórico.

Processo ignorou documentos obrigatórios

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Apesar de não ter enviado um formulário essencial — que pedia dados da carteira de habilitação, uma declaração sobre violência doméstica e autorização para verificação de antecedentes —, Laura Jedeed recebeu uma proposta formal de emprego confirmando sua aceitação. A plataforma de empregos do ICE chegou a indicar que ela havia sido aprovada em um teste de aptidão física marcado para uma data três dias no futuro.

“Se eles não perceberam que eu era uma jornalista anti-ICE que sequer preencheu a papelada necessária, o que mais estão ignorando?”, questiona Jedeed em sua denúncia. Ela levanta suspeitas sobre a possibilidade de condenados por agressão doméstica ou pessoas com ligações a grupos extremistas estarem sendo recrutadas.

Crescimento acelerado e falta de controle

A jornalista relaciona as falhas ao crescimento acelerado da agência. Quando Donald Trump assumiu a presidência em 2024, o ICE contava com cerca de 10 mil agentes. Um ano depois, esse número saltou para aproximadamente 22 mil. Para Jedeed, a expansão rápida e a desorganização no recrutamento sugerem que o governo pode não ter clareza sobre quem compõe as fileiras da agência.

A denúncia ocorre em um momento de intensa controvérsia envolvendo o ICE. Recentemente, a corporação ganhou destaque internacional após o assassinato da norte-americana Renee Nicole Good, baleada por um agente durante uma operação. O caso, registrado em vídeo, reacendeu críticas sobre o uso excessivo da força e a falta de transparência da agência.