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As chances de um fechamento prolongado do governo federal dos Estados Unidos diminuíram significativamente nos últimos dias, segundo dados dos mercados de previsão Polymarket e Kalshi. Após um pico que ultrapassou 70%, as probabilidades agora oscilam na faixa dos 60%, refletindo movimentos políticos em Washington.

O impasse está centrado no projeto de financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês). Senadores democratas se opõem à medida, que inclui verbas para a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) e para a Patrulha de Fronteira, exigindo reformas na aplicação das leis de imigração.

O que desencadeou a crise

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A tensão aumentou drasticamente após o fim de semana, quando agentes da Patrulha de Fronteira atiraram fatalmente em Alex Pretti, em Minneapolis. O incidente levou senadores democratas a anunciarem que não votariam para financiar o DHS sem mudanças significativas. "Não vamos votar para financiar o Departamento de Segurança Interna até que sejam feitas reformas na aplicação da imigração", afirmou um porta-voz democrata ao The New York Times.

Em poucas horas, as odds de um "shutdown" nos mercados de previsão saltaram de cerca de 10% para mais de 70%. A virada ocorreu na quinta-feira à noite, quando ficou claro que a Casa Branca e os democratas estavam negociando para evitar a paralisação.

O cenário atual no Congresso

A Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, já aprovou um pacote que une seis projetos de financiamento, incluindo o do DHS, das Forças Armadas e de várias agências. No entanto, no Senado, os republicanos, com 53 cadeiras, precisam de votos democratas para atingir os 60 necessários para superar o obstrucionismo ("filibuster") e aprovar a legislação.

Os democratas propõem separar o projeto do DHS dos outros cinco. Contudo, se isso acontecer, a Câmara teria que votar novamente o pacote remanejado. Como a Câmara só retorna às sessões na próxima semana, um fechamento parcial pelo menos até lá é considerado provável.

Diferenças para o fechamento recorde de 2019

Especialistas apontam que um eventual fechamento agora teria um impacto menor do que o recorde de 43 dias ocorrido há alguns meses. Primeiro, seria uma paralisação parcial, pois várias agências já têm financiamento garantido até 30 de setembro. Programas como SNAP (vale-refeição) e WIC (nutrição para gestantes) não seriam afetados, funcionários do Congresso continuariam recebendo salários e parques nacionais provavelmente permaneceriam abertos.

Além disso, a saída para a crise parece mais clara. Diferentemente do impasse anterior, onde os democratas condicionavam todo o financiamento a mudanças na saúde, agora a objeção se restringe ao orçamento do DHS. É plausível que o Senado aprove os outros cinco projetos, a Câmara os ratifique na semana que vem e o fechamento parcial dure apenas alguns dias.

Riscos e ressalvas

Ainda assim, um fechamento prolongado do DHS traria consequências. A agência também supervisiona a Administração de Segurança nos Transportes (TSA) e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), o que poderia causar atrasos em aeroportos e problemas com auxílio a desastres.

Vale notar que o ICE, um dos pontos centrais da disputa, tem fontes alternativas de financiamento. Além da verba em discussão no Congresso, a agência recebeu cerca de US$ 75 bilhões por meio da "Lei do Um Grande e Belo Projeto" em julho, dinheiro que permanece disponível independentemente do desfecho atual.