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Mercados de previsão indicam queda nas chances de fechamento do governo dos EUA

Mercados de previsão indicam queda nas chances de fechamento do governo dos EUA

Após pico de tensão, apostas em plataformas como Polymarket e Kalshi recuam para patamar intermediário.

Redação
Redação
29 de janeiro de 2026

As chances de um fechamento prolongado do governo federal dos Estados Unidos diminuíram significativamente nos últimos dias, segundo dados dos mercados de previsão Polymarket e Kalshi. Após um pico que ultrapassou 70%, as probabilidades agora oscilam na faixa dos 60%, refletindo movimentos políticos em Washington.

O impasse está centrado no projeto de financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês). Senadores democratas se opõem à medida, que inclui verbas para a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) e para a Patrulha de Fronteira, exigindo reformas na aplicação das leis de imigração.

O que desencadeou a crise

A tensão aumentou drasticamente após o fim de semana, quando agentes da Patrulha de Fronteira atiraram fatalmente em Alex Pretti, em Minneapolis. O incidente levou senadores democratas a anunciarem que não votariam para financiar o DHS sem mudanças significativas. "Não vamos votar para financiar o Departamento de Segurança Interna até que sejam feitas reformas na aplicação da imigração", afirmou um porta-voz democrata ao The New York Times.

Em poucas horas, as odds de um "shutdown" nos mercados de previsão saltaram de cerca de 10% para mais de 70%. A virada ocorreu na quinta-feira à noite, quando ficou claro que a Casa Branca e os democratas estavam negociando para evitar a paralisação.

O cenário atual no Congresso

A Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, já aprovou um pacote que une seis projetos de financiamento, incluindo o do DHS, das Forças Armadas e de várias agências. No entanto, no Senado, os republicanos, com 53 cadeiras, precisam de votos democratas para atingir os 60 necessários para superar o obstrucionismo ("filibuster") e aprovar a legislação.

Os democratas propõem separar o projeto do DHS dos outros cinco. Contudo, se isso acontecer, a Câmara teria que votar novamente o pacote remanejado. Como a Câmara só retorna às sessões na próxima semana, um fechamento parcial pelo menos até lá é considerado provável.

Diferenças para o fechamento recorde de 2019

Especialistas apontam que um eventual fechamento agora teria um impacto menor do que o recorde de 43 dias ocorrido há alguns meses. Primeiro, seria uma paralisação parcial, pois várias agências já têm financiamento garantido até 30 de setembro. Programas como SNAP (vale-refeição) e WIC (nutrição para gestantes) não seriam afetados, funcionários do Congresso continuariam recebendo salários e parques nacionais provavelmente permaneceriam abertos.

Além disso, a saída para a crise parece mais clara. Diferentemente do impasse anterior, onde os democratas condicionavam todo o financiamento a mudanças na saúde, agora a objeção se restringe ao orçamento do DHS. É plausível que o Senado aprove os outros cinco projetos, a Câmara os ratifique na semana que vem e o fechamento parcial dure apenas alguns dias.

Riscos e ressalvas

Ainda assim, um fechamento prolongado do DHS traria consequências. A agência também supervisiona a Administração de Segurança nos Transportes (TSA) e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), o que poderia causar atrasos em aeroportos e problemas com auxílio a desastres.

Vale notar que o ICE, um dos pontos centrais da disputa, tem fontes alternativas de financiamento. Além da verba em discussão no Congresso, a agência recebeu cerca de US$ 75 bilhões por meio da "Lei do Um Grande e Belo Projeto" em julho, dinheiro que permanece disponível independentemente do desfecho atual.

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