A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, anunciou que começará a lançar novos modelos e produtos de inteligência artificial (IA) para seus usuários "nos próximos meses". A declaração foi feita pelo CEO Mark Zuckerberg durante a conferência de resultados do quarto trimestre de 2024, realizada nesta quarta-feira (29). A empresa também revelou um aumento significativo nos gastos com infraestrutura, projetando um investimento de até US$ 135 bilhões (cerca de R$ 675 bilhões) em 2026.
Zuckerberg destacou que a empresa reconstruiu os alicerces de seu programa de IA em 2025, após uma reestruturação de seus laboratórios de pesquisa. "Ao longo dos próximos meses, vamos começar a enviar nossos novos modelos e produtos... e esperamos empurrar consistentemente a fronteira ao longo do novo ano", afirmou o executivo aos investidores.
Foco em "ferramentas de compra agentivas"
Embora não tenha detalhado prazos ou produtos específicos, Zuckerberg sinalizou que o comércio impulsionado por IA será uma área de foco prioritária. "Isso também tem implicações para o comércio. Novas ferramentas de compra agentivas permitirão que as pessoas encontrem o conjunto certo de produtos das empresas em nosso catálogo", explicou.
Essa proposta ecoa um interesse mais amplo da indústria por assistentes de compra com IA. Gigantes como Google e OpenAI já desenvolveram plataformas para transações habilitadas por agentes, com parceiros como Stripe e Uber.
Vantagem competitiva no contexto pessoal
A Meta acredita que seu acesso a dados pessoais dos bilhões de usuários em suas plataformas lhe dará uma vantagem única. "Estamos começando a ver a promessa de uma IA que entende nosso contexto pessoal, incluindo nosso histórico, nossos interesses, nosso conteúdo e nossos relacionamentos", disse Zuckerberg. "Muito do que torna os agentes valiosos é o contexto único que eles podem ver, e acreditamos que a Meta poderá fornecer uma experiência singularmente pessoal."
Em dezembro de 2024, a Meta adquiriu a desenvolvedora de agentes de propósito geral Manus. Na ocasião, a empresa informou que continuaria a operar e vender o serviço Manus, além de integrá-lo a seus produtos.
Investimento agressivo em infraestrutura
O anúncio sobre IA veio acompanhado de projeções de gastos de capital (capex) recordes. A Meta agora antecipa desembolsar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em despesas de capital totais ao longo de 2026. Esse valor representa um salto em relação aos US$ 72 bilhões projetados para 2025.
Em documento oficial à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a empresa atribuiu o aumento ao "investimento elevado para apoiar nossos esforços nos Meta Superintelligence Labs e no negócio principal". Apesar do montante expressivo, a cifra ainda está abaixo da projeção de US$ 600 bilhões que Zuckerberg teria mencionado para os gastos com infraestrutura da Meta até 2028, segundo relatos.
Pressão por retorno financeiro
A Meta já enfrentou críticas de investidores por não esclarecer de forma transparente como seus maciços investimentos em IA se traduzirão em resultados financeiros para a empresa. Zuckerberg, no entanto, foi enfático ao afirmar que o trabalho dos laboratórios de IA chegará ao público em breve.
"Este vai ser um grande ano para entregar superinteligência pessoal, acelerar nosso negócio, construir infraestrutura para o futuro e moldar como nossa empresa funcionará daqui para frente", concluiu o CEO.