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A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, está considerando a possibilidade de adicionar reconhecimento facial aos seus óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban, segundo informações de um documento interno obtido pelo jornal The New York Times. A avaliação ocorre mais de três anos após o lançamento do produto, em 2021, que se tornou um sucesso de vendas.

Um porta-voz da Meta, Erin Logan, afirmou à Business Insider que a empresa "ouve frequentemente sobre o interesse neste tipo de recurso", mas que ainda está "pensando nas opções" e adotará uma "abordagem ponderada se e antes de lançar qualquer coisa". A decisão final sobre a implementação da funcionalidade ainda não foi tomada.

Estratégia baseada no contexto mundial

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O documento analisado pelo Times sugere que, dentro da Meta, há a avaliação de que o momento atual pode ser propício para o lançamento do recurso controverso. A lógica, conforme a reportagem, é que a existência de múltiplas crises e preocupações globais simultâneas poderia distrair a atenção do público e de grupos de defesa da privacidade, amortecendo uma eventual reação negativa em larga escala.

A tática é comparada à estratégia de celebridades que anunciam divórcios durante grandes eventos, como o Super Bowl, para minimizar o foco da mídia. A empresa estaria ponderando se o cenário mundial, com outras prioridades em pauta, criaria uma "janela de oportunidade" para introduzir a tecnologia.

Precedentes e limitações atuais

Em 2024, estudantes da Universidade de Harvard demonstraram que era possível adaptar os Meta Ray-Bans para realizar reconhecimento facial. Eles enviaram fotos da câmera dos óculos para um serviço de terceiros que processava a identificação. Na ocasião, a Meta foi enfática ao destacar que os óculos em si não possuíam a funcionalidade nativa e que o feito dependia de uma solução externa.

Até o momento, não são limitações técnicas, mas questões legais e de privacidade que têm impedido a adoção do reconhecimento facial em dispositivos vestíveis como os óculos. A implementação direta pela Meta levantaria debates intensos sobre vigilância, consentimento e os limites da coleta de dados biométricos em espaços públicos.

Sucesso comercial e demanda

Os óculos inteligentes Meta Ray-Ban se tornaram um produto de destaque no portfólio da empresa. A EssilorLuxottica, controladora da marca Ray-Ban, informou que as vendas triplicaram em 2025 e que há dificuldade em atender à demanda do mercado, indicando a popularidade do acessório.

O possível acréscimo do reconhecimento facial é discutido em um contexto de crescimento do produto, o que poderia amplificar significativamente o alcance e o impacto da tecnologia, caso ela seja efetivamente integrada pela fabricante.