Mark Zuckerberg, CEO da Meta, testemunhou nesta quarta-feira em um tribunal de Los Angeles em um julgamento considerado fundamental sobre o vício em redes sociais. O caso, movido por uma mulher de 20 anos identificada como KGM, alega que o uso de plataformas como Instagram e Facebook durante sua infância prejudicou sua saúde mental, contribuindo para depressão e pensamentos suicidas.
O processo é visto como um julgamento-teste que pode indicar o resultado de mais de 2.000 ações judiciais individuais semelhantes pendentes. A Meta, dona do Instagram e Facebook, é ré junto com o YouTube, da Google. TikTok e Snapchat já chegaram a um acordo extrajudicial.
Pressão dos pais e risco financeiro bilionário
Fora do tribunal, pais como Lori Schott, que perdeu a filha de 18 anos para o suicídio em 2020, aguardavam por um assento. "Fiz contato visual com ele por um bom tempo", disse Schott sobre Zuckerberg. "Eu não estava recuando". Ela acredita que o conteúdo visto por sua filha nas redes "destruiu" sua saúde mental.
A Meta alertou investidores no mês passado que suas batalhas legais sobre segurança de jovens podem "impactar significativamente" seus resultados financeiros de 2026. Em documento, a empresa disse que potenciais indenizações em certos casos podem chegar a "dezenas de bilhões de dólares".
Defesa das empresas e argumentos no tribunal
Em depoimento, Zuckerberg afirmou que adolescentes representam menos de 1% da receita com anúncios da Meta e que a maioria não tem renda disponível, tornando-os pouco valiosos para anunciantes. "Se as pessoas não estão felizes com um serviço, eventualmente, com o tempo, elas pararão de usá-lo e usarão algo melhor", declarou o executivo.
Stephanie Otway, porta-voz da Meta, disse em nota: "Discordamos veementemente dessas alegações e estamos confiantes de que as evidências mostrarão nosso compromisso de longa data em apoiar os jovens". Ela destacou mudanças feitas na última década, como as Contas de Adolescentes, que dão aos pais ferramentas para gerenciar as contas de seus filhos.
O Google se recusou a comentar. Um porta-voz do Snapchat afirmou que as partes "ficaram satisfeitas por terem resolvido o assunto de maneira amigável".
Esperança por uma mudança de percepção
Para Amy Neville, outra mãe presente ao tribunal, o julgamento pode mudar a opinião pública. "Enfrentamos muito estigma de pessoas dizendo que somos pais ruins", disse. "Quando as evidências saírem, a maré vai virar, e o público em geral vai estar do nosso lado".
Sarah Gardner, CEO da Heat Initiative, grupo de defesa que pressiona as grandes empresas de tecnologia, espera que o processo incentive mais pessoas a questionarem o uso do Instagram. Independente do resultado, ela vê o julgamento como uma oportunidade crucial para aumentar a conscientização sobre as operações das empresas de mídia social.