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A Netflix anunciou nesta terça-feira (21) planos para redesenhar completamente seu aplicativo móvel, com lançamento previsto para 2026. A mudança, revelada durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre, visa reposicionar a plataforma em um cenário de vídeo dominado por redes sociais como TikTok, YouTube e Instagram Reels. O co-CEO Greg Peters afirmou que a atualização servirá de base para a expansão dos negócios da empresa na próxima década.

O foco do redesign será uma integração mais profunda de feeds de vídeo vertical, formato que a Netflix testa desde maio. A ferramenta exibe clipes curtos de séries e filmes do catálogo em um estilo similar ao de rivais sociais. "Você pode imaginar nós trazendo mais clipes baseados em novos tipos de conteúdo, como podcasts em vídeo", comentou Peters durante o call com investidores.

Estratégia dupla: vídeos curtos e podcasts originais

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A renovação do app móvel anda lado a lado com um investimento agressivo em podcasts em vídeo originais, um setor historicamente liderado pelo YouTube. Na última semana, a Netflix estreou seus primeiros programas do gênero, com apresentadores de alto perfil como o comediante Pete Davidson e o ex-jogador de futebol americano Michael Irvin.

A empresa também fechou parcerias com gigantes do áudio, como Spotify e iHeartMedia, para trazer bibliotecas consolidadas de podcasts em vídeo para sua plataforma. A estratégia tem como objetivo tornar a descoberta de conteúdo e o engajamento diário na Netflix mais parecidos com a experiência de uma rede social.

Experimento, não imitação, diz executiva

Apesar das semelhanças com concorrentes, a Netflix se posiciona como experimentalista, não imitadora. Em participação na conferência TechCrunch Disrupt 2025, a diretora de tecnologia Elizabeth Stone enfatizou que a empresa "não está tentando se tornar o TikTok", mas sim fortalecer suas capacidades de descoberta de entretenimento com recursos mobile-first.

Refletindo sobre a mudança no setor, o outro co-CEO, Ted Sarandos, comentou que os serviços de streaming não competem mais apenas entre si, mas com toda a indústria do entretenimento. "As linhas competitivas em torno do consumo de TV já estão se desfazendo. TV agora é praticamente tudo. Os Oscars e a NFL estão no YouTube... a Apple compete por Emmys e Oscars, e o Instagram está chegando", disse Sarandos.

Contexto financeiro e mudanças no cinema

O anúncio ocorre em um momento de força financeira para a empresa. Em 2025, a Netflix faturou US$ 45,2 bilhões, com receita de publicidade superando a marca de US$ 1,5 bilhão. Além disso, a plataforma ultrapassou a marca de 325 milhões de assinaturas pagas no quarto trimestre.

Sarandos também citou a evolução na estratégia cinematográfica da companhia, referindo-se à recente mudança em seu modelo de lançamento nos cinemas, medida que ganha importância com a iminente aquisição da Warner Bros. O movimento sinaliza uma abertura para modelos híbridos de distribuição, conforme a linha que separa cinema, streaming e conteúdo social continua a se desfazer.

O redesign do app móvel está programado para ser lançado ao longo de 2026, permitindo que a Netflix "itere, teste, evolua e melhore" sua oferta continuamente, conforme descrito pela liderança da empresa.