O New York Times Games lançou oficialmente o Crossplay, um novo jogo de palavras multiplayer para iOS e Android que se apresenta como uma alternativa ao Scrabble e ao Words With Friends. A principal proposta do aplicativo é oferecer uma experiência de jogo focada, sem a poluição visual e os anúncios intrusivos comuns em concorrentes, especialmente para seus assinantes.
DisponÃvel para download gratuito, o Crossplay permite que os usuários joguem com amigos ou sejam pareados com estranhos de nÃvel de habilidade similar. Embora mantenha a essência do Scrabble, o jogo introduz pequenas variações no tabuleiro, na distribuição das peças e em uma regra sobre o fim do saco de letras, possivelmente por questões legais.
Filosofia de jogo "respeitosa" e análise de IA
Jonathan Knight, chefe de jogos do New York Times, explicou à TechCrunch que o sucesso de tÃtulos como Wordle e Spelling Bee está na criação de experiências "respeitosas com o seu tempo". "São versões muito 'snackables' que funcionam bem no celular e são fáceis de compartilhar", afirmou. Essa filosofia foi estendida ao Crossplay, com o objetivo de permitir que as pessoas "entrem, joguem com amigos e famÃlia e sigam com o dia".
Uma das funcionalidades distintivas do novo jogo é o CrossBot, uma ferramenta de inteligência artificial semelhante ao WordleBot. Após cada partida, o bot analisa as jogadas do usuário, identifica oportunidades perdidas e classifica o desempenho em termos de estratégia e sorte, destacando os melhores movimentos e os pontos fracos.
Estratégia de negócios e dados de audiência
O lançamento do Crossplay reforça a aposta do New York Times no setor de games, que se tornou um pilar significativo de seu negócio digital. Dados do fundo de investimento ValueAct Capital indicam que, até o final de 2023, os usuários já passavam mais tempo no app de Jogos do que no app de NotÃcias da empresa.
O movimento ganhou força em 2022 com a aquisição do viral Wordle. Segundo o próprio jornal, apenas em 2025, o Wordle foi jogado 4,2 bilhões de vezes, enquanto o Connections, outro sucesso da plataforma, registrou 1,6 bilhão de jogadas. Knight destacou que a taxa de compartilhamento diário do Wordle se manteve estável mesmo após o fim do hype inicial, demonstrando a fidelização do hábito.
Contexto do mercado e recepção
A reportagem da TechCrunch, assinada pela jornalista sênior Amanda Silberling, contextualiza o lançamento como uma resposta a uma lacuna no mercado por jogos de palavras sociais sem distrações "agressivas". O texto critica explicitamente a experiência oferecida pelo Words With Friends, da Zynga, citando anúncios intrusivos e uma interface considerada irritante.
Para usuários não assinantes do New York Times, o Crossplay pode exibir alguns anúncios em banner, mas a promessa é de uma experiência muito mais limpa comparada à dos concorrentes, que frequentemente cobram mensalidades para remover propagandas.