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Um novo lote de e-mails divulgado na sexta-feira (data da referência) detalha a troca de presentes de luxo entre Kathryn Ruemmler, atual principal advogada do Goldman Sachs, e o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein. As mensagens mostram Ruemmler, que foi conselheira da Casa Branca entre 2011 e 2014, expressando entusiasmo por itens como uma bolsa Hermès avaliada em US$ 9.350 (cerca de R$ 46,7 mil).

Em uma comunicação de 2018, Ruemmler se refere a Epstein como "Tio Jeffrey" ao agradecer por uma entrega feita em seu apartamento em Nova York. "Tão lindo e atencioso! Obrigada ao Tio Jeffrey!!!", escreveu ela. Epstein, que se declarou culpado em 2008 por solicitar prostituição de uma menor, foi indiciado em 2019 por tráfico sexual e se suicidou na prisão.

Detalhes dos presentes e reações

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Os e-mails revelam uma série de presentes caros. Em 2016, a assistente de Epstein, Lesley Groff, relatou a reação de Ruemmler ao receber a bolsa Hermès modelo Jlypslere 31: "MEU DEUS!!! Ele está com tanta =encrenca!!!! Estou morrendo. É tão linda". A nota fiscal do acessório comprovou o valor de US$ 9.350.

Não foi o único item de luxo. Em 2015, por seu 44º aniversário, Ruemmler escreveu que "absolutamente amou a bolsa" enviada por Epstein. Em 2019, ela comentou que seu visual do dia era uma criação do financista: "Estou totalmente equipada pelo Tio Jeffrey hoje! Botas, bolsa e relógio de Jeffrey!", afirmou.

Solicitação de relógio de alta grife

Em 2018, a advogada questionou se seria aceitável pedir um modelo mais caro do Apple Watch. "Se for realmente ok com ele fazer o Hermès, eu adoraria o de 40 mm, aço inoxidável Hermès com pulseira de couro swift bleu indigo double tour", especificou Ruemmler. Ela argumentou que usaria esse modelo "todos os dias", enquanto versões esportivas seriam para fins de semana ou exercícios.

Contexto profissional e posição do Goldman Sachs

Na época das trocas, Ruemmler era uma das principais advogadas do escritório Latham & Watkins. Ela se juntou ao Goldman Sachs em 2020, após o escândalo Epstein ganhar novas proporções. O banco de investimento, liderado pelo CEO David Solomon, manteve seu apoio à executiva.

Em comunicado, o porta-voz do Goldman Sachs, Tony Fratto, afirmou que é "bem sabido que Epstein frequentemente oferecia favores e presentes não solicitados a seus muitos contatos comerciais". A nota reiterou que Ruemmler teve "uma associação profissional com Jeffrey Epstein" quando atuava em um escritório de advocacia e que "ela lamenta tê-lo conhecido". Em novembro, Solomon disse à CNBC que Ruemmler é "uma excelente advogada, e a organização conta com sua orientação todos os dias".

Novos documentos em liberação

A divulgação deste lote de e-mails ocorre no contexto da Lei de Transparência de Arquivos Epstein, aprovada com amplo apoio bipartidário em novembro. O Departamento de Justiça dos EUA informou em carta ao Congresso que liberará 3 milhões de novos arquivos relacionados a Epstein, embora cerca de 200 mil documentos sejam parcial ou totalmente retidos do público.