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Dois pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foram protocolados na Câmara Legislativa do DF nesta semana. As ações, movidas por PSB, Cidadania e PSOL, citam crime de responsabilidade em relação à tentativa de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo distrital.

A transação, que tinha o objetivo de salvar o Banco Master de uma crise de liquidez, foi barrada pelo Banco Central (BC). As investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) apontam que o banco privado vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB.

Acusações de atuação temerária

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Os partidos de oposição apontam uma "atuação temerária" do governo de Ibaneis Rocha. No documento, eles citam a compra de títulos "podres" e de origem irregular, a criação de dívidas não previstas no orçamento público e uma negociação direta, privada e sem transparência com o próprio banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Os parlamentares também alegam influência indevida do governador nas decisões internas do BRB, "inclusive com exigências diretas ao presidente da instituição para a prática de atos que configuram ilícitos administrativos".

Encontros com o banqueiro e depoimento à PF

Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que conversou com Ibaneis Rocha sobre a proposta de venda do Banco Master ao BRB. O banqueiro disse ter tido encontros institucionais com o governador entre janeiro de 2024 e 2025.

O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, após identificar as irregularidades nas operações com o BRB.

Longo caminho processual

Conforme prevê a lei, os pedidos de impeachment terão que percorrer um longo trâmite legislativo antes de serem votados em plenário. Um dos pedidos é assinado por quatro membros do PSB-DF – Rodrigo Dias, o deputado federal Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro –, além do presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque, e dos advogados Rodrigo Pereira e Lynecker Juliano.

O outro pedido é de autoria da presidente regional do PSOL, Giulia Tadini. A assessoria de imprensa do governador Ibaneis Rocha não se manifestou sobre as acusações até o fechamento desta reportagem.