Publicidade

A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (6) quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, capital do Amapá. A operação, autorizada pela Justiça Federal, investiga possíveis irregularidades em investimentos realizados pelo Regime Próprio de Previdência Social do Estado (Amprev) no Banco Master, instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro.

Um dos alvos das buscas é o presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos. Lemos é ex-tesoureiro da campanha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e foi indicado por ele para o comando da autarquia. O irmão do senador, Alberto Alcolumbre, atua como conselheiro fiscal da Amprev, mas não é alvo da operação policial.

Investigação aponta alto risco e déficit milionário

Publicidade

De acordo com a PF, o fundo de previdência do Amapá possuía, em 2024, um ativo circulante de R$ 10 bilhões. Desse total, R$ 8,3 bilhões estavam aplicados em investimentos de curto prazo, configurando uma carteira considerada de alto risco. Após o desconto dos passivos, o déficit da autarquia chegava a R$ 387 milhões.

Apesar do cenário deficitário, a Amprev realizou aportes de R$ 400 milhões no Banco Master, instituição que mantinha relações com o mundo político e jurídico de Brasília. A investigação apura se o prejuízo decorre de gestão temerária, gestão fraudulenta ou se houve "ordens de cima".

Aliado de Alcolumbre ignorou alertas

Segundo as investigações, Jocildo Silva Lemos foi alertado sobre os riscos da operação financeira com o Banco Master, mas decidiu prosseguir com o investimento. A PF busca esclarecer se a movimentação foi resultado de "inaptidão ou convicção".

A operação ocorre a 2.476 km de Brasília, mas gera repercussão na capital federal devido aos vínculos políticos dos investigados. O caso envolve diretamente o círculo próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Próximos passos e contexto

A Polícia Federal coleta documentos e provas para consolidar a investigação. Os crimes em apuração – gestão temerária e gestão fraudulenta de fundo de previdência – podem resultar em indiciamentos e ações judiciais contra os envolvidos.

O caso evidencia os riscos na gestão de recursos de regimes próprios de previdência, que administram o dinheiro de servidores públicos aposentados e pensionistas. A Amprev, com seu déficit milionário e investimentos questionáveis, torna-se um exemplo dos desafios de governança e transparência nesse setor.