Publicidade

A Singapore Airshow 2024, considerada a maior feira de aviação da Ásia, destacou em sua 11ª edição a corrida global por tecnologias de defesa contra drones. O evento, que acontece a cada dois anos, reuniu cerca de 550 organizações, sendo que um terço atua no setor de sistemas aéreos não tripulados (UAS). A feira evidenciou como conflitos recentes, especialmente a guerra na Ucrânia, e incidentes de segurança ampliaram a demanda por soluções contra ameaças aéreas acessíveis.

O cenário de exibição misturou jatos de combate multimilionários com uma profusão de sistemas anti-drone, desde jammers de radiofrequência portáteis até canhões laser. A diversidade de soluções reflete a preocupação global com drones que podem custar apenas US$ 600, mas causar danos significativos em bases militares, estádios ou interromper o tráfego aéreo civil, como ocorreu na Europa no outono passado.

Armamento variado contra ameaças aéreas

Publicidade

As soluções apresentadas cobriam um amplo espectro tecnológico. Empresas exibiram jammers de radiofrequência em formatos que vão de dispositivos portáteis a sistemas montados em caminhões, projetados para cortar a comunicação entre o drone e seu operador. A israelense Skylock apresentou a arma de interferência "Skybeam", de 13 libras (cerca de 5,9 kg).

No segmento de armamento cinético, a sueca Saab exibiu o novo sistema "Loke", uma metralhadora montada em caminhão e assistida por software, prometendo eliminar drones com "um tiro, uma morte". A empresa planeja adicionar munições de airburst em breve. Também foram comuns os drones caçadores, com design aerodinâmico semelhante a mísseis.

Tecnologias de energia direta e inovação americana

A francesa Thales promoveu o "ThunderShield", um dispositivo remoto em forma de cúpula que mira em drones pequenos (Classe 1) com um feixe eletromagnético invisível em formato de cone. A empresa afirmou que o sistema já foi implantado em um grande evento público na França há dois anos, sem especificar qual (os Jogos Olímpicos foram o maior evento do país naquele ano).

Uma inovação em destaque foi o CROSSBOW, desenvolvido pela IPG Defense, nova divisão de defesa da IPG Photonics. O sistema, da empresa de Massachusetts, usa lasers para destruir drones por dano térmico. Um radar auxiliar ajuda a identificar drones e diferenciá-los de outras aves, e o operador escolhe os alvos usando um controle de Xbox.

Acessibilidade redefine o cenário de guerra

Um vendedor de tecnologia anti-drone presente no evento observou que muitas invenções do setor utilizam tecnologias que não são necessariamente novas. A inovação, segundo ele, está na combinação de conceitos antigos de formas inéditas. Essa realidade sinaliza como a guerra aérea se tornou mais acessível, com quadricópteros de baixo custo dividindo espaço na feira com jatos de combate de última geração e motores da Rolls Royce.

A organização da Singapore Airshow registrou a maior participação de pequenas e médias empresas na história do evento este ano, indicando um mercado em expansão e democratização no setor de defesa aérea.