A SpaceX, empresa de foguetes de Elon Musk, prepara uma oferta pública inicial (IPO) que pode valer até US$ 1,5 trilhão ainda este ano. Relatórios divulgados na noite de quinta-feira sugerem que a companhia avalia fusões de grande porte com a montadora de veículos elétricos Tesla ou com a startup de inteligência artificial xAI, ambas também controladas pelo bilionário.
As três empresas têm movimentado aproximações nos últimos meses. A Tesla informou na quarta-feira que investiu US$ 2 bilhões na xAI, após a SpaceX ter feito um aporte semelhante no ano passado. A montadora também disse a investidores que avaliará "potenciais colaborações em IA" com a xAI, depois de integrar o chatbot Grok, da startup, a seus veículos em julho.
Visão de longo prazo: IA no espaço
Unir a SpaceX e a xAI se alinha à visão de longo prazo de Musk para um futuro movido por inteligência artificial. O homem mais rico do mundo sugeriu que a conclusão lógica do boom de infraestrutura de IA é construir data centers no vácuo gelado do espaço, onde teriam acesso abundante à energia solar e operariam sem as enormes quantidades de água necessárias para resfriá-los na Terra.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos na semana passada, Musk afirmou que o espaço se tornará o local de "menor custo" para treinar IA e que a SpaceX lançará satélites de IA movidos a energia solar nos próximos anos, que consumirão "centenas de terawatts" de energia anualmente. A rede de satélites Starlink e o foguete Starship poderiam formar a base de uma massiva rede orbital de computação para IA.
O acesso a essa infraestrutura poderia dar à xAI uma vantagem sobre rivais como OpenAI e Google, que buscam desesperadamente poder de computação e também exploram data centers baseados no espaço para construir modelos de IA cada vez mais poderosos.
Questão de financiamento e sinergias com a Tesla
Outra consideração é o financiamento. Treinar IA é notoriamente caro, com a xAI supostamente queimando bilhões de dólares em caixa e buscando novos aportes regularmente. A SpaceX, por sua vez, viu sua receita crescer nos últimos anos e deve acessar o mercado público por até US$ 50 bilhões.
Já uma fusão com a Tesla, empresa pública desde 2010, seria mais complexa. As duas companhias já têm ligações estreitas, compartilhando membros do conselho e executivos no passado. Atualmente, porém, as áreas de sobreposição são menos óbvias.
A Tesla está em transição de montadora para uma empresa de IA e robótica. Musk afirmou na quarta-feira que a Tesla descontinuaria os modelos X e S para usar suas linhas de produção na fabricação do robô Optimus. A empresa também possui um próspero negócio de armazenamento de energia.
Musk reiterou que acredita que a Tesla precisa construir uma "terafábrica" para produzir chips de IA avançados e, em uma publicação no X em novembro, sugeriu que essa fábrica poderia produzir chips para os satélites de IA movidos a energia solar da SpaceX.
O fio condutor: a colonização de Marte
Um objetivo conecta todos os empreendimentos de Musk: sua obsessão em estabelecer uma colônia em Marte, que o bilionário descreve como crítica para a sobrevivência da humanidade a longo prazo. A SpaceX se prepara para usar a nave Starship em missões não tripuladas ao planeta vermelho nos próximos anos, e Musk já disse que essas missões levariam o robô Optimus, da Tesla, para Marte.
Está claro que combinar suas várias empresas está na mente de Musk há algum tempo. Em 2020, ele respondeu a uma publicação no Twitter (atual X) que sugeria a fusão da SpaceX, Tesla e da Boring Company. "Boa ideia", escreveu Musk.