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A Tesla anunciou nesta quarta-feira (16) que vai encerrar a produção dos modelos S e X no próximo trimestre. A decisão foi comunicada pelo CEO Elon Musk durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025 e marca o fim de dois dos veículos mais icônicos da história da empresa.

Os sedãs e SUVs de luxo, que custam a partir de US$ 94.990 e US$ 99.990, respectivamente, representaram uma parcela cada vez menor das vendas totais da Tesla. Em 2025, a categoria "outros modelos", que agrupa o Model S, o Model X e a Cybertruck, vendeu 50.850 unidades em todo o mundo.

Queda acentuada nas vendas

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O número de 2025 representa apenas 3,1% das 1.636.129 vendas globais da Tesla no período. Em contraste, os modelos mais populares, Model Y e Model 3, somaram 1.585.279 veículos entregues.

A queda nas vendas dos modelos mais antigos foi acentuada. Em 2024, primeiro ano completo de entregas da Cybertruck, a categoria "outros modelos" vendeu 85.133 unidades. A comparação com 2025 revela uma queda de aproximadamente 40%, muito superior ao declínio de cerca de 7% registrado pelos modelos 3 e Y.

Fim de uma era com "baixa honrosa"

O Model S, lançado em 2012, foi o primeiro carro desenvolvido integralmente pela Tesla. O Model X chegou ao mercado três anos depois, em 2015, dando à empresa uma posição no segmento de SUVs, o mais popular dos Estados Unidos.

Musk justificou a decisão afirmando que é hora de "basicamente encerrar os programas Model S e X com uma baixa honrosa, porque estamos realmente entrando em um futuro baseado na autonomia". O executivo classificou a medida como "um pouco triste".

O Model X, em particular, enfrentou problemas de confiabilidade desde o início, especialmente com suas portas "gullwing" de abertura vertical, que Musk descreveu em 2019 como difíceis de produzir em massa, chamando o veículo de um "ovo Fabergé".

Mudança de foco para robótica

Em vez de buscar revitalizar as vendas dos modelos antigos, a Tesla afirmou que redirecionará os esforços de produção para seu robô humanoide Optimus. Musk projeta a fabricação de um milhão de robôs por ano.

A mudança sublinha o distanciamento progressivo da Tesla de seus modelos de luxo tradicionais, em um momento de desaceleração do crescimento e de impulso da empresa para as áreas de robótica e autonomia veicular.

Analistas, no entanto, demonstram ceticismo sobre os resultados imediatos da troca de foco. "A empresa parece estar no caminho certo com a implantação do serviço Robotaxi em nove cidades dos EUA, junto com o início da produção do Cybercab e do Semi", disse Steve Man, analista sênior do setor automotivo da Bloomberg Intelligence. "Mas acreditamos que um robô Optimus comercialmente viável ainda está a pelo menos alguns anos de distância."

A Tesla não respondeu a um pedido de comentário da Business Insider, que publicou a reportagem original com os dados de vendas.