O acordo para a venda de parte das operações do TikTok nos Estados Unidos a um consórcio de investidores americanos deve ser finalizado nesta semana, conforme reportagem do Semafor. A informação surge quase três meses após o ex-presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva aprovando a transação, que visa resolver anos de tensões sobre a segurança de dados dos usuários americanos da plataforma, de propriedade da chinesa ByteDance.
O grupo de investidores, conforme memorando obtido pelo TechCrunch, é composto pela Oracle, pela empresa de private equity Silver Lake e pela firma de investimentos MGX. Juntos, eles deterão 45% da operação americana, enquanto a ByteDance manterá aproximadamente 20% das ações. Fontes citadas pela Axios estimam que o TikTok nos EUA está avaliado em cerca de US$ 14 bilhões.
Estrutura do acordo e segurança dos dados
Uma nova joint venture, chamada "TikTok USDS Joint Venture LLC", será responsável por supervisionar as operações do aplicativo nos Estados Unidos, incluindo proteção de dados, segurança do algoritmo, moderação de conteúdo e garantia de software. A Oracle atuará como parceira de segurança confiável, responsável por auditorias e conformidade com os Termos de Segurança Nacional.
A empresa de tecnologia já fornece serviços em nuvem para o TikTok e gerencia os dados dos usuários americanos. Um funcionário da Casa Branca afirmou anteriormente que a Oracle replicaria e protegeria uma nova versão americana do algoritmo, que seria alugada da ByteDance pelos novos proprietários e, em seguida, retreinada pela Oracle.
Longo histórico de disputas e mudanças
A batalha pelo TikTok nos EUA começou em agosto de 2020, quando Trump assinou uma ordem executiva para banir transações com a ByteDance. A administração Trump então tentou forçar a venda da operação americana, com Microsoft, Oracle e Walmart entre os interessados. A ordem, no entanto, foi temporariamente bloqueada pela Justiça.
O cenário evoluiu com a administração Biden. Após o Senado aprovar um projeto de lei contra o TikTok, o presidente Joe Biden o sancionou. Em resposta, a TikTok processou o governo americano, contestando a constitucionalidade da proibição e alegando violação da Primeira Emenda. A empresa sempre negou representar uma ameaça à segurança.
Em 2024, Trump, já fora do cargo, mudou sua posição e passou a buscar um arranjo de propriedade 50-50 entre a ByteDance e uma empresa americana. Vários grupos se mostraram interessados, incluindo um consórcio organizado pelo fundador do Project Liberty, Frank McCourt, e outro liderado pelo fundador da Employer.com, Jesse Tinsley.
Próximos passos e transição para os usuários
O acordo estava programado para ser concluÃdo em 22 de janeiro de 2026. Relatórios da Bloomberg indicam que, uma vez finalizado, o aplicativo TikTok será descontinuado nos EUA, e os usuários precisarão migrar para uma nova plataforma. Os detalhes sobre as funcionalidades e diferenças desta nova plataforma ainda não estão claros.
A ByteDance não terá acesso à s informações dos usuários americanos do TikTok nem qualquer influência sobre o algoritmo utilizado nos Estados Unidos, conforme os termos do acordo. A empresa se comprometeu publicamente a garantir que a plataforma permaneça disponÃvel para os usuários americanos.